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Baleias-jubarte criaram uma ferramenta inusitada para caçar: bolhas

Segundo pesquisadores, bolsões de ar soprados para confundir e capturar presas devem ser considerados equivalentes às pontas de lança pré-históricas do sapiens.

Por Bela Lobato 1 set 2024, 14h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h06
Baleias-jubarte criaram uma ferramenta inusitada para caçar: bolhas Priorizar nos meus resultados Google

Fun fact: as jubartes sopram bolhas enormes dentro da água. E não é por brincadeira essa é uma técnica de caça.

Uma equipe de pesquisadoras monitorou esses cetáceos no Alasca por meio de filmagens com drones e também com câmeras e sensores presos com ventosas nas próprias baleias.

Com as imagens, foi possível observar que as baleias ajustam o tamanho dos pacotões de ar e guiam as bolhas para confundir as presas e capturar o máximo de alimento possível.

Os resultados da análise, segundo o estudo publicado na semana passada em um periódico especializado da Royal Society, colocam esses mamíferos marinhos gigantes no seleto grupo de animais que usam ferramentas para caçar.

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“Essas baleias sopram bolhas habilmente em padrões que formam redes com anéis internos, controlando ativamente detalhes como o número de anéis, o tamanho e a profundidade da rede e o espaçamento entre as bolhas.”

“Esse método permite que elas capturem até sete vezes mais presas em um único mergulho de alimentação sem usar energia extra.”, explica o biólogo marinho Lars Bejder, coautor do estudo,

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em comunicado.

O principal objetivo é capturar grandes quantidades um tipo de invertebrado pequenininho chamado krill. A jubarte nada em parafuso, da superfície em direção ao fundo, dando voltas em torno de um cardume de krills e soprando bolhas enquanto isso.

Com isso, ela forma bolhas enormes e cilíndricas

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um paredão de ar que impede que as presas fujam. Depois, é só a baleia nadar de baixo para cima verticalmente, com a enorme boca aberta.

Uma das partes mais interessantes é que esse comportamento não é inato: nem todas as jubarte caçam assim, e mesmo entre as que caçam, há variações na técnica a depender do grupo. Elas aprendem umas com as outras, e podem até mesmo fazer a armadilha de forma colaborativa, para ninguém ficar sem lanche.

Os sensores e câmeras dos pesquisadores permitiram estudar a forma, o tamanho e a distância entre as bolhas e analisar os efeitos que esses parâmetros têm sobre a taxa de ingestão de presas.

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Também foi possível entender qual o custo energético da construção de uma rede de bolhas, e como elas impactam a respiração. Os resultados sugerem que as redes de bolhas maximizam a quantidade de presas que a baleia pode capturar e comer, sem nenhum custo adicional de energia. 

Para os pesquisadores, fica claro que a estratégia funciona como uma ferramenta, que é não só usada, mas criada e apropriada individualmente por cada baleia. “Vários animais usam ferramentas para ajudá-los a encontrar alimentos, mas muito poucos realmente criam ou modificam essas ferramentas por conta própria”, diz Bejder.

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Entender os comportamentos de caça e alimentação das jubartes é essencial para garantir a preservação da espécie. Elas já estiveram sob grande ameaça de extinção, que foi revertida após a proibição da caça da espécie para fins comerciais em 1976.

Atualmente, existem cerca de 84 mil baleias-jubarte adultas no mundo, e o estado de conservação da espécie é considerado de “menor preocupação”. Mesmo assim, um estudo recente mostra que o número de espécimes caiu cerca de 20% entre 2012 e 2021, com um dos fatores envolvidos sendo o aumento da temperatura dos oceanos. 

“O que eu acho empolgante é que as jubartes criaram ferramentas complexas que lhes permitem explorar agregações de presas que, de outra forma, não estariam disponíveis para elas”, diz o biólogo marinho Andy Szabo, coautor do estudo, em comunicado.

“É essa flexibilidade comportamental e engenhosidade que espero que sirva bem a essas baleias à medida que nossos oceanos continuarem a mudar.”

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