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Alienígenas podem “grampear” asteroide para espionar Terra, sugere artigo

Cientista acredita que civilizações extraterrestres podem ter implantado escutas em objetos espaciais perto da Terra para monitorar a vida no planeta.

Por A. J. Oliveira 4 out 2019, 18h09 | Atualizado em 2 jul 2026, 17h08
Alienígenas podem “grampear” asteroide para espionar Terra, sugere artigo Priorizar nos meus resultados Google

Nossa espécie evoluiu muito desde a idade da pedra, mas convenhamos, a humanidade ainda engatinha em sua jornada para virar uma civilização com tecnologia de fato avançada. Mal pisamos na Lua e nem mesmo o Sistema Solar pode ser considerado território familiar. Ainda assim, já sabemos como detectar vida em exoplanetas. E mais: temos um plano viável para enviar sondas a outras estrelas.

Agora imagine que, daqui a alguns séculos, os astrônomos descubram um mundo bem na vizinhança galáctica, a alguns punhados de anos-luz do Sol, com sinais claros da existência de seres vivos em um caminho evolutivo que parece apontar para um resultado parecido com o nosso. Não iríamos querer acompanhar de perto como as coisas se desenrolam?

Pois é: um pesquisador dos Estados Unidos acaba de propor exatamente esse argumento – só que às avessas: seriam os alienígenas que teriam vindo até aqui para espionar a nossa evolução. 

Em artigo publicado em setembro no periódico The Astronomical Journal, o físico James Benford desenvolveu os alicerces da ideia improvável – mas não impossível – de que ETs possam ter instalado “escutas” na superfície de algum asteroide ou cometa cuja órbita o mantenha sempre por perto da Terra.

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Explicando melhor: de 1997 até hoje, nós descobrimos 15 objetos que se enquadram na categoria de quasi-satélites (assim mesmo, com a letra “i”) – a maioria após 2010. Eles não são satélites de fato, como a Lua, pois estão girando em volta do Sol, e não da Terra. Mas suas órbitas estão praticamente sincronizadas com a nossa, de maneira que planetas e quasi-satélites são como carros de Nascar tirando fina um do outro volta após volta em um imenso circuito oval. 

O mais famoso co-orbital (outro nome para quasi-satélite), que foi batizado com o código 2016 HO3, fica a uma distância de mais ou menos 38 vezes a da Lua, e deve permanecer cortejando nosso planeta durante séculos. Seria o local ideal para ETs espiões instalarem um “grampo” para ficar de olho em nosso mundinho azul.

Testar a hipótese de Benford não é nenhum grande desafio do ponto de vista científico ou tecnológico. Bastaria apontar telescópios para os co-orbitais, além de investigá-los com radares. Isso já poderia revelar algum eventual indício de tecnologia extraterrestre ancestral. Mas, obviamente, enviar sondas baratas para explorá-los in loco é a opção mais promissora — e é o que a China pretende fazer em 2022 com o 2016 HO3.

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Vale lembrar que os alienígenas hipotéticos provavelmente não teriam implantado grampos nos quasi-satélites da Terra necessariamente para nos espionar. Milhões de anos atrás, eles podem ter detectado a presença de organismos simples como bactérias fotossintetizantes, ou então deram a sorte de observar algo um tanto mais complexo, como os dinossauros. A tecnologia teria ficado lá, ativa ou não. Caçá-la seria como fazer arqueologia de artefatos extraterrestres.

A ideia é uma abordagem alternativa ao método clássico utilizada pela comunidade SETI – grupo cientistas que procuram ETs inteligentes –, que consiste em tentar captar mensagens de rádio vindos de outros cantos da galáxia. Como a tática não deu em nada mesmo após muitas décadas de tentativas, entusiastas desse campo resolveram apostar em novas estratégias, sobretudo na busca por “tecnoassinaturas”: sinais de tecnologia não-humana no Universo.

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Mas, afinal, para quê gastar dinheiro com uma proposta que até os mais ferrenhos defensores das pesquisas para encontrar civilizações alienígenas consideram tão incerta? Bem, mesmo se não houver nada de extraterrestres nos co-orbitais, ainda assim faremos descobertas científicas interessantes. E a própria constatação de que, em bilhões de anos, nenhum ET veio xeretar a vida na Terra já seria algo de valor por si só. Cadê todo mundo?

 

 

 

 

 

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