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Agronegócio reduz a retenção de CO2 no solo

Lavouras “guardam" menos carbono do que a vegetação nativa, mostra estudo.

Por Bruno Garattoni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 abr 2026, 12h00 | Atualizado em 27 abr 2026, 14h53

A parir dos anos 1970, o Brasil se tornou uma superpotência agropecuária. Mas isso, como aponta um novo estudo (1), também teve um lado ruim: diminuiu em 5,2 bilhões de toneladas a quantidade total de CO₂ armazenada no solo do País.

É muita coisa: equivale a 70% do carbono gerado, em um ano, por toda a frota mundial de automóveis. Conversamos com João Marcos Villela, pesquisador da Esalq/USP e um dos autores do trabalho, para entender.

Lavouras e pastagens armazenam menos carbono que a vegetação nativa. Por quê?
Na vegetação nativa, normalmente há o ciclo de troca de folhas, e essa matéria orgânica é depositada no solo. Se você converte a área para a agricultura, especialmente em sistemas convencionais, vai revolver o solo com arados. Essa movimentação faz com que o carbono que estava retido ali seja liberado para a atmosfera, porque você esfarela esse material orgânico. E o solo fica mais exposto, o que eleva a atividade de fungos e bactérias decompositoras, que também contribuem para a liberação de CO₂.

O solo da Mata Atlântica armazena 154% mais carbono por hectare que o solo do Pantanal, e 62% a mais que o solo da Caatinga. Por quê?
A Mata Atlântica tem clima mais frio, o que influencia [desacelera] a decomposição de matéria orgânica. Climas mais úmidos e maior produção de biomassa também contribuem para um maior acúmulo de carbono.

Na Caatinga, nós temos altas temperaturas, e a atividade microbiana é muito mais acelerada. Já os solos do Pantanal são pobres, bem arenosos [e retêm menos matéria orgânica].

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O estudo apontou que a monocultura (plantar uma única espécie vegetal em determinada área) prejudica mais a retenção de carbono do que outros sistemas de cultivo. Por quê?
A monocultura vem junto com uma agricultura intensificada em termos de máquinas, com todo aquele processo de revolvimento do solo. Quando você tem uma monocultura, o solo sofre mais intervenções, e há maior liberação de CO₂ para o ambiente.

O que poderia ser feito para compensar, ao menos parcialmente, o efeito causado pela atividade agropecuária?
A sucessão de culturas, por exemplo. Nesse sistema, você faz o plantio, faz a colheita e deixa parte da matéria orgânica sobre o solo. Você interfere menos no solo, porque não faz o processo de aração novamente. Também há o plantio direto [sem arado], que vai deixando uma camada de palha sobre o solo, reduzindo sua temperatura.

O solo mais coberto tende a ficar mais frio, e com isso reter mais carbono?
Exato. A grosso modo, sim.

Fonte 1. “Soil carbon debt from land use change in Brazil”.

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