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Abelhas estressadas enxergam melhor e agem mais rápido, mostra estudo

Sob pressão, abelhas tendem a enxergar detalhes finos com mais facilidade, tomam decisões mais rápido e se mostram mais comprometidas com as próprias escolhas, segundo novos experimentos.

Por Diego Facundini 27 jun 2026, 08h00
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Encontrar uma aranha camuflada entre as pétalas de uma flor ou se tornar o alvo de um ataque de urso podem ser situações, no mínimo, estressantes. Por sorte, para os animais que prezam pela própria vida, uma boa dose de estresse pode ter suas vantagens.

De acordo com um novo estudo lançado no Journal of Experimental Biology, abelhas expostas ao estresse agudo tendem a enxergar melhor e tomar decisões com mais agilidade. Os achados, publicados no dia 15, trazem novas pistas sobre como o estresse pode ajudar animais a se adaptarem durante situações de alta pressão.

Ainda que ele possa ter seus efeitos negativos no longo prazo, na natureza, o estresse pode ser um mecanismo decisivo para garantir a sobrevivência imediata dos animais em situações de ameaça. Em mamíferos como os humanos, esse estado de alta vigilância – causado pelo aumento de hormônios como o cortisol e a adrenalina – pode aguçar a percepção visual e ajudar na detecção de ameaças.

Já as abelhas também dependem da visão para se situar no mundo, então era de se esperar que o estresse também pudesse ter efeitos similares na percepção visual desses insetos. No entanto, até então, nenhum estudo havia explorado esse efeito nas abelhas.

Para preencher essa lacuna, pesquisadores da Universidade de Newcastle simularam, em laboratório, situações de estresse semelhantes àquelas encontradas pelas abelhas na natureza. Mais especificamente, os especialistas imitaram a maneira como ursos ou texugos chacoalham as colmeias durante momentos de predação. O jeito, no caso, foi armazenar parte das abelhas em cápsulas, e chacoalhá-las vigorosamente com a ajuda de um agitador mecânico.

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Feito isso, os pesquisadores monitoraram habilidades relacionadas à detecção de aspectos visuais, como contraste e detalhes finos. O estresse, como observaram, afetou a sensibilidade visual das abelhas de maneira significativa. As abelhas agitadas menos sensíveis a padrões com cores menos contrastantes, e, por outro lado, ficaram com a percepção mais aguçada para perceber detalhes finos.

Na natureza, é plausível que essa diferença salve a vida de algumas abelhas. Como escrevem os autores, um dos predadores mais comuns das abelhas são as aranhas-caranguejeiras da espécie Misumena vatia, que se camuflam entre as flores para capturar suas presas. Isto é, uma acuidade maior em relação a detalhes finos, nesses casos, ajudaria mais a detectar o predador camuflado do que a capacidade de diferenciar cores.

Os pesquisadores também mediram o tempo que as abelhas levavam para tomar decisões. Em um labirinto em formato de Y, as abelhas precisavam escolher qual de dois caminhos seguiriam. Um deles continha uma recompensa, e outro, apenas água. Nesse caso, as abelhas estressadas foram mais rápidas em escolher um dos caminhos, e, uma vez feita a decisão, hesitavam menos em seguir o trajeto até o final.

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Mais interessante, porém, foi o fato de que as abelhas agitadas, mesmo fazendo suas escolhas de maneira mais acelerada, acertavam o caminho da recompensa tanto quanto as abelhas que não estavam estressadas.

O achado mais destacado, de acordo com a autora a frente do estudo, Olga Procenko, é que o estresse não apenas melhorou a visão, mas também se traduziu em forma de ação. “Especificamente, o estresse aumentou a disposição das abelhas para agir com base em seu julgamento perceptivo inicial, tomar uma decisão e agir de acordo com mais agilidade, sem comprometer a precisão”, disse, em nota.

De acordo com os pesquisadores, os resultados dos experimentos sugerem que os efeitos do estresse vão além de apenas intensificar um estado de alerta ou a reatividade dos animais. O estresse, como apontam, pode servir para amplificar aspectos bem delimitados da sensibilidade visual.

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“Embora o estresse seja algo negativo, ele pode preparar um indivíduo para desafios futuros ao alterar a forma como ele responde”, explica Vivek Nityananda, autor sênior do estudo. “Em vez de sobrecarregar o sistema, ele pode ajudar a priorizar as informações mais relevantes, permitindo que as abelhas ajam de maneira rápida e eficaz em situações potencialmente ameaçadoras.”

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