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Abelhas entendem números – e não estão apenas “fingindo”, diz estudo

Segundo nova pesquisa australiana, as abelhas possuem cognição numérica e conseguem até entender a ideia de "zero".

Por Ana Clara Caielli Barreiro 27 abr 2026, 10h00

Apesar de pequenas, as abelhas são alguns dos animais mais importantes do planeta, sendo responsáveis por boa parte da polinização das plantas e pela manutenção da biodiversidade.

Um ponto sobre esses animaizinhos que ainda não havia sido totalmente desvendado pela ciência era a sua possível capacidade de processar informações numéricas – ou seja, avaliar quantidades à sua frente.

Um novo estudo da Universidade Monash, na Austrália, publicado esta semana no periódico científico Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, fez uma ampla revisão sobre o tema e trouxe evidências fortes de que as abelhas têm, sim, cognição numérica. 

Os pesquisadores analisaram trabalhos anteriores sobre a inteligência das abelhas. Eles perceberam que muitos dos experimentos que concluíam que esses insetos não tinham capacidade de “contar”, na verdade, não se sustentavam. Um dos principais trabalhos revisitados foi um estudo de 2021, de MaBouDi, que sugeria que a aparente cognição numérica das abelhas era resultado de respostas a pistas visuais.

Os autores da nova pesquisa argumentam que esses estudos não consideravam as limitações biológicas da percepção visual e sensorial das abelhas. Em especial, não levavam em conta sua baixa resolução espacial – que é a dificuldade em detectar padrões de contraste, algo fundamental para a forma como enxergam.

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Assim, os autores reavaliaram os dados anteriores, mas desta vez considerando os parâmetros visuais específicos das abelhas-melíferas (conhecidas como abelhas de mel) e incorporando outros aspectos relevantes para sua percepção. 

Esse novo cálculo, considerando como as abelhas percebem o ambiente, mostrou que não havia uma correlação sólida entre padrões visuais e os número, como era defendido. Isso deixou claro que as abelhas estavam, de fato, identificando quantidades. Uma das conclusões é que as abelhas conseguem, inclusive, compreender o conceito de “zero”, identificando a ausência de elementos.

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Para isso, foram utilizados o algoritmo FFT e fórmulas trigonométricas para calcular os estímulos da pesquisa e alinhá-los com a fisiologia real das abelhas.

Em outras palavras, os pesquisadores deixaram de analisar os experimentos sob a perspectiva humana e passaram a considerar o ponto de vista das próprias abelhas. “Devemos priorizar a perspectiva do animal ao avaliar sua cognição, ou podemos subestimar ou superestimar suas habilidades”, disse a Dra. Scarlett Howard, uma das autoras do estudo, em comunicado.

A equipe da Universidade Monash também propôs um conjunto de diretrizes e equações para futuros estudos com animais. Além de contribuir para o debate sobre a cognição das abelhas, o trabalho reforça que experimentos científicos, de forma geral, precisam levar em conta as características de cada espécie, pois ignorar esses fatores pode levar a conclusões erradas.

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