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A tecnologia anti-HIV que envolve a fusão de anticorpos humanos e de lhamas

A solução teve resultados inéditos nos estudos realizados em laboratório, mas ainda precisa passar por mais testes

Por Bela Lobato 3 ago 2024, 14h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h04
A tecnologia anti-HIV que envolve a fusão de anticorpos humanos e de lhamas Priorizar nos meus resultados Google

A luta contra o HIV é uma missão a que se dedicam milhares de cientistas no mundo há mais de 40 anos. Os estudos podem acontecer em muitas frentes: no tratamento dos sintomas, na compreensão dos mecanismos de transmissão, na produção de uma possível cura, e muito mais. 

Agora, um time de mais de 30 pesquisadores norte-americanos parece ter descoberto um possível tratamento para o vírus causador da Aids em um lugar inusitado: no sangue de lhamas. Assim como os tubarões, alpacas e camelos, o sistema imunológico das lhamas produz um tipo específico de anticorpos dez vezes menores do que os anticorpos humanos.

O estudo, publicado na revista Advanced Science em maio, ainda precisa passar por diversas etapas de testes para que seja transformado, de fato, em uma solução aplicável a humanos. 

Uma das razões para que desenvolver soluções contra o HIV seja tão difícil é a alta adaptabilidade do vírus. Ele pode evoluir rapidamente para bloquear os anticorpos humanos, que são responsáveis por aderir à estrutura dos invasores e conter a ameaça.

Mas estes minúsculos anticorpos extraídos das lhamas, chamados nanocorpos, são pequenos e alongados, e podem se espremer entre as defesas de um vírus para sufocar as partes mais infecciosas do vírus. Muitas vezes, essas manobras são inacessíveis para anticorpos humanos clássicos, que são muito mais robustos.

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Para obter os nanocorpos, os cientistas precisaram primeiro induzir sua produção. Para isso, a equipe de cientistas injetou em uma lhama a parte do vírus que o sistema imunológico reconhece como invasiva. Os cientistas repetiram o processo 13 vezes em um ano, estimulando a reação biológica.

Em seguida, com uma engenharia cuidadosa, eles pegaram os nanocorpos mais potentes que conseguiram encontrar e os fundiram com partes de um anticorpo humano de ação ampla para o HIV. Se, sozinhos, os dois podiam neutralizar cerca de 90% das cepas do HIV-1, juntos eles se tornam “ultrapotentes”, segundo os pesquisadores.

“Em vez de desenvolver um coquetel de anticorpos, agora podemos criar uma única molécula capaz de neutralizar o HIV”, disse Jianliang Xu, principal autor do estudo.

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Nos testes in vitro, a quimera lhama-humana conseguiu combater 96% de 208 cepas de HIV. É como se o novo anticorpo tivesse mecanismos que unem o melhor do sistema imunológico humano com o melhor do sistema imunológico das lhamas.

“Esses nanocorpos são os melhores e mais potentes anticorpos neutralizantes até o momento, o que considero muito promissor para o futuro da terapêutica do HIV e da pesquisa de anticorpos”, diz o doutorando e coautor do estudo Payton Chan em nota da Georgia State University. “Espero que um dia esses nanocorpos sejam aprovados para o tratamento do HIV”, ele completa.

A doença e o tempo: Aids, uma história de todos nós

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