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A Cidade do México afunda 25 cm por ano, e mudança pode ser vista do Espaço

Construída em cima de um aquífero durante a colonização, a Cidade do México está afundando cada vez mais rápido

Por Ana Clara Caielli Barreiro 6 Maio 2026, 10h00

A crise estrutural da Cidade do México aparece nos jornais há décadas e está presente até nos livros de geografia do ensino médio. A capital mexicana foi construída sobre um aquífero e está, literalmente, afundando – cada vez mais rápido.

A subsidência do solo (o termo técnico para o fenômeno) foi documentada pela primeira vez  na cidade em 1925. Entre as décadas de 1990 e 2000, o problema se agravou, causando rachaduras em estradas, edifícios e tubulações, além de impactos no metrô. Alguns monumentos históricos da cidade já parecem visivelmente tortos.

A taxa atual de afundamento foi medida por um satélite da Nasa em parceria com a Isro (Organização Indiana de Pesquisa Espacial). Os resultados são alarmantes: em algumas áreas, a subsidência chega a cerca de 25 centímetros por ano.

Isso faz da Cidade do México uma das metrópoles com maior subsidência do solo no mundo. Segundo especialistas, a cidade já afundou mais de 12 metros em menos de um século.

A tecnologia utilizada é o NISAR, um sistema de radar potente capaz de mapear a superfície terrestre com alta precisão. Ele monitora movimentos do solo em tempo real – como afundamentos, elevações e deslizamentos – e opera 24 horas por dia, sem ser afetado por nuvens ou vegetação.

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Lançado ao espaço em julho de 2025, o satélite vem mapeando detalhadamente a Cidade do México, sobrevoando a região diversas vezes por mês.

A análise divulgada pela Nasa considera dados coletados entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, durante o período de seca na capital mexicana. Nas áreas destacadas em azul, o NISAR identificou afundamentos superiores a dois centímetros por mês, pontos críticos do território.

Novos dados do NISAR mostram que a Cidade do México e seus arredores sofreram subsidência de até alguns centímetros por mês (em azul) entre 25 de outubro de 2025 e 17 de janeiro de 2026. Alterações de elevação irregulares e aparentemente pequenas se acumularam ao longo das décadas, fraturando estradas, edifícios e tubulações de água.
(NASA/JPL-Caltech/David Bekaert/Reprodução)
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A imagem destaca locais importantes da cidade que se encontram nessas zonas, como o Aeroporto Internacional Benito Juarez (o principal da Cidade do México), o rio Chalco e o Anjo da Independência, monumento inaugurado em 1910 para celebrar o centenário da independência mexicana.

O Anjo é um dos exemplos mais emblemáticos do problema. Desde sua construção, foi necessário acrescentar 14 degraus à sua base para compensar o afundamento do terreno.

Uma questão colonial

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A origem da crise remonta ao período colonial. Antes da chegada dos espanhóis, o atual território da Cidade do México se chamava Tenochtitlán, capital do Império Asteca. Ele foi construído sob as ilhas no Lago Texcoco.

A cidade foi expandida por meio de uma técnica chamada chinampa, que consistia, basicamente, na construção de pequenas ilhas artificiais nas áreas rasas do lago. Tenochtitlán atingiu mais de 13 quilômetros de extensão, e tinha um planejamento urbano simétrico, com canais e blocos retangulares de terra.

O problema veio com a conquista do território pelos espanhóis. A ordem foi destruir todas as construções astecas e erguer uma nova cidade sobre suas ruínas. Partes do lago foram drenadas para permitir a expansão urbana.

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Hoje, a Cidade do México, com mais de 20 milhões de habitantes, repousa sobre sedimentos argilosos da antiga bacia do lago, um solo altamente instável. O afundamento, registrado pela primeira vez em 1925, é consequência direta dessa ocupação colonial.

Outra questão é que o Lago Texcoco é uma das principais fontes de abastecimento de água para a população da cidade, mas a extração subterrânea justamente agrava a subsidência (o afundamento) da cidade. O resultado é uma verdadeira crise hídrica na Cidade do México.

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