Evolução humana acelerou nos últimos 10 mil anos, revela estudo de Harvard

A evolução humana não parou no passado distante. Um novo estudo indica que ela acelerou nos últimos 10 mil anos — especialmente após a invenção da agricultura.

A pesquisa analisou quase 16 mil genomas antigos e foi liderada por cientistas de Universidade Harvard, com publicação na revista Nature.

Os dados mostram que centenas de variantes genéticas foram selecionadas recentemente, contrariando a ideia de que a evolução dos humanos é lenta.

A mudança começou com a agricultura: o abandono do estilo caçador-coletor trouxe novos hábitos, doenças e pressões ambientais.

Muitas das mutações selecionadas estão ligadas à saúde, como resistência a infecções e menor risco de certas doenças.

Um exemplo clássico é a tolerância à lactose. Uma mutação permitiu que adultos continuassem digerindo leite, trazendo vantagem alimentar.

Também houve mudanças físicas: variantes ligadas à pele clara e ao cabelo ruivo aumentaram em frequência ao longo do tempo.

Os cientistas identificaram ao menos 479 casos claros de “evolução direcional”, quando um gene vantajoso se espalha na população.

Esse processo se intensificou com o surgimento de cidades e sociedades complexas, especialmente na Idade do Bronze.

Ainda assim, a seleção natural explica apenas parte das mudanças. Migrações e fatores aleatórios também moldaram nosso DNA.

O estudo focou na Eurásia, e mais pesquisas são necessárias. Mas os dados indicam: a evolução humana recente foi mais dinâmica do que se imaginava.