O mistério dos buracos negros – SUPER.doc
Existe um lugar onde o tempo deixa de existir, de onde não há como escapar. Ele traz respostas para o maior enigma do universo. Hora de entendê-lo melhor.
Os buracos negros trazem a chave para o maior enigma do Universo. Sim, pois não é justo que eles só sejam famosos por engolir luz. É como se lembrar de Albert Einstein como um bom violinista – coisa que ele era mesmo; Elsa, sua segunda esposa, disse ter se apaixonado pelo maior físico da história depois que ele “tocou Mozart no violino de forma maravilhosa”.
Buracos negros têm de fato uma gravidade absurda o bastante para fazer com raios de luz aquilo que o ralo da pia do seu banheiro faz com a água da torneira. “Gravidade”, vale lembrar, não é exatamente uma força. Ela é a forma como sentimos distorções no espaço – não no espaço sideral, mas no “espaço” à nossa volta mesmo, aquele composto por uma dimensão de comprimento, uma de altura e uma de largura.
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Um objeto com massa – seja um alfinete, seja a Terra, seja o Sol – entorta o “tecido do espaço”. Um raio de luz vindo de alguma estrela acaba desviado pela gravidade do Sol, pois é o próprio espaço pelo qual a luz se propaga que está se curvando. Tal curvatura, porém, é suave demais para tragar os raios, então eles passam pelo Sol como os pneus de uma Land Rover vencem um buraco de estrada.
Com um buraco negro é diferente. Ele entorta tanto o tecido do espaço que os raios de luz caem lá dentro e acabam presos para sempre. Daí a escuridão da coisa. Ilumine-o com uma lanterna e você não vai ver nada. Ele vai sugar os raios da lanterna. Mas, não, essa não é a propriedade mais interessante dos buracos negros.
A grande graça ali é outra: o fato de que o tecido do espaço também é o tecido do tempo, como descobriu o violinista Albert. Tanto que o nome oficial da coisa é “tecido espaço-tempo”.
Um buraco negro, então, não engole apenas coisas. Ele devora o tempo. Se você pudesse se aproximar do centro de um buraco, um segundo para você equivaleria a um século aqui na Terra. Se alguém pudesse te ver daqui, enxergaria o seu corpo como uma estátua. Congelado. Você precisa de quase um século para completar uma piscada de olho, afinal. Depois piora.
Cada centímetro a mais que você cai em direção ao centro do buraco aumenta esse déficit temporal. Mais um pouco e um segundo seu vai durar um milhão de anos na Terra. Depois um bilhão. Uma hora não vai mais ter Terra, nem Sol, nem Via Láctea. Nem nenhuma estrela acesa.
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Cada buraco negro é um portal instantâneo para o fim de tudo. Olhar para a escuridão de um significa vislumbrar o momento em que o Universo voltará a ser nada. Por essas, aquela primeira imagem de um desses astros, divulgada em abril de 2019, é a foto mais importante da história. Uma imagem para apreciar ouvindo Mozart, com Einstein ao violino.
Neste mini-documentário da SUPER você vai entender melhor a magia dos buracos negros, e porque eles representam a última fronteira da realidade.







