Mapa 3D interativo mostra (quase) todos os prédios do mundo; confira
O GlobalBuildingAtlas contribui para análises urbanísticas – e também é um ótimo passatempo.
Aglomerados de pequenas formas aparecem diante de seus olhos quando você abre o GlobalBuildingAtlas. Em poucos instantes, o plano cinzento é colorido por uma variedade de torres azuis – altas, baixas, perfeitamente geométricas ou contornadas de maneiras muito complexas. Os nomes em alemão sobre as linhas que cortam a paisagem já dão uma pista sobre o que se trata.
O que você vê é uma projeção 3D de todos os edifícios da cidade de Munique, na Alemanha, vistos de cima. A partir daí, você é livre para explorar: coloque sua rua na barra de pesquisa, e uma das torres da tela provavelmente corresponderá à sua casa.
Nesse mapa interativo, cada polígono é uma casa, um prédio ou uma das várias outras estruturas que compõem a grande mancha urbana, onde vive metade da população do planeta. Somados, são cerca de 2,75 bilhões desses pontinhos espalhados por todo o Atlas, que representam aproximadamente 97% de todos os edifícios na Terra.
Para criar essa base de dados, cientistas da Universidade Técnica de Munique usaram um algoritmo de deep learning, em conjunto com uma tecnologia que usa lasers para medir distâncias e topografias, o LiDAR (Light Detection and Ranging, ou “detecção de luz e alcance”). O algoritmo é uma inteligência artificial autodidata, que foi treinada com base nos dados coletados pelo LiDAR em cidades de 168 países (Brasil incluso). Sobre o mapa, construído sobre 600.000 imagens de satélite fotografadas em 2019, o algoritmo estima o tamanho e o volume das construções de todo o planeta.
O resultado foi o mapa 3D mais detalhado já feito dos edifícios no mundo, com uma resolução espacial de 3 metros por 3 metros. A nova ferramenta, aliás, não se resume a apenas um site-passatempo. Facilitando o acesso a dados tridimensionais, essa base aberta proporciona uma nova dimensão essencial para análises urbanísticas.
A questão é simples, mas sempre presente no campo do urbanismo: em um mundo extremamente verticalizado, não basta apenas olhar para a área ocupada pelas estruturas das cidades – é necessário também olhar para cima. Porém, como os autores explicam no artigo publicado na revista Earth System Science Data, o acesso a esses dados tridimensionais é desigual no mundo, e faz muita falta principalmente em países em desenvolvimento.
O mapa aberto e gratuito, no fim das contas, é um esforço para a universalização desses dados. As análises feitas com esses dados podem servir de subsídio para políticas públicas, planejamento de modelos climáticos e estimativas de risco durante desastres.
Além disso, o projeto já revelou alguns dados interessantes sobre a distribuição das construções do mundo. Quem lidera em todas as estimativas é, previsivelmente, a Ásia. Lá, são 1,22 bilhão de edifícios ocupando um volume de 1,272 trilhões de metros cúbicos.
Quem ocupa o segundo lugar no pódio da quantidade é a África, com seus 540 milhões de polígonos azuis. Porém, o volume ocupado é bem mais discreto, 117 bilhões de metros cúbicos. Os pesquisadores atribuem isso à forma dos edifícios africanos, que geralmente são menores e mais baixos.
Nossa América do Sul não vai muito longe na competição: são 264 milhões de edifícios, por um volume de 123 bilhões de metros cúbicos. Um glorioso quinto lugar, atrás também da Europa (403 milhões) e da América do Norte (295 milhões). Só não perdemos para a Oceania, que tem apenas 14 milhões… Veja aqui no mapa.






