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E se as calotas polares derretessem?

Se as calotas polares derretessem provocariam uma elevação do nível do mar que causariam destruições e inundariam quase todas as cidades baixas do mundo.

Por Rodrigo Vergara 31 mar 2003, 22h00 • Atualizado em 17 out 2017, 15h32
  • A Terra está esquentando. Graças à queima de petróleo e carvão, só no último século a temperatura média do planeta já aumentou 0,5 ºC. E vai subir mais, dizem cientistas do mundo todo. Mas não pense que isso significa mais dias de sol para aproveitar nos fins de semana. O aquecimento pode ter consequências drásticas para o planeta. Entre esses efeitos, um dos mais graves é o derretimento, pouco a pouco, das calotas polares, aquela imensidão de gelo e neve que cobre milhões de quilômetros quadrados nos pólos Sul e Norte. Os cientistas têm certeza de que a maior parte desse gelo derreterá. Entretanto, não sabem qual o tamanho do estrago. Mas e se as calotas derretessem completamente?

    O primeiro efeito do derretimento seria um enorme aumento no nível do mar. No século 20, ele já subiu 25 centímetros, e é quase certo que, até 2100, deve se elevar mais 80 centímetros. Parece pouco, mas é o suficiente para inundar áreas habitadas por mais de 118 milhões de pessoas.

    As estimativas mais otimistas dizem que, no ano 3000, o mar terá subido 30 metros. Os mais pessimistas calculam que, até lá, as calotas já terão derretido completamente, elevando o nível dos oceanos em espantosos 67 metros, o que equivale à altura de um prédio de 23 andares. A população que mora junto ao mar, estimada em mais de 1 bilhão de pessoas, seria mais afetada. Mas todo o mundo acabaria sendo atingido, em algum grau. Afinal, tal elevação do nível do mar destruiria ou alteraria todos os portos do mundo, por onde entra e sai a maior parte do comércio internacional.

    O Brasil seria um dos países mais afetados. Ao sul, o oceano Atlântico invadiria a bacia do Prata, inundando parte do Rio Grande do Sul (e um pedação da Argentina e do Uruguai). No norte, as águas oceânicas avançariam centenas de quilômetros pela calha do rio Amazonas (leia no quadro abaixo), ameaçando a biodiversidade amazônica. Não bastasse isso, boa parte das capitais do país seria inundada. No Rio de Janeiro, por exemplo, os bairros mais nobres, na zona sul, ficariam debaixo d’água. Já os morros, onde hoje estão as favelas, ficariam à beira mar.

    Como sempre, os países ricos contornariam a catástrofe mais facilmente. Muito tempo antes de as águas cobrirem as cidades litorâneas do mundo desenvolvido, haveria propostas de diques e barreiras para conter o avanço das águas, como já acontece há séculos na Holanda. Na Europa, por exemplo, já existem propostas (a maior parte delas fora de propósito) de um sistema de eclusas fechando o estreito de Gibraltar, entre Espanha e Marrocos, o que impediria o avanço do oceano Atlântico. Isso salvaria o sul da Europa, o norte da África e boa parte do patrimônio histórico da humanidade. A cidade de Veneza, hoje já atingida por inundações, poderia até ser salva. Mas alguns estragos seriam inevitáveis. Nos Estados Unidos, a Flórida desapareceria quase completamente. A Nova York de hoje também ficaria submersa.

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    Mas, se por um lado alguns países perderiam território, outras porções de terra ficariam mais habitáveis. Com temperaturas 10ºC mais altas, a Groenlândia se tornaria uma ilha coberta de verde. E até a Antártida poderia florescer.

    Mas a adaptação não pára por aí. Com o fim das massas de água dos pólos, que funcionam como contrapesos para o planeta, a rotação da Terra mudaria. O planeta giraria mais rápido, com dias mais curtos. Talvez tivéssemos até um dia 29 de fevereiro todo ano. O posicionamento do eixo de rotação da Terra em relação ao Sol também mudaria, alterando as estações do ano.

    O aumento da superfície molhada e da temperatura aumentaria a umidade relativa do ar.

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    O clima ficaria mais violento, com chuvas e nevascas (sim, nos pólos ainda haveria nevascas). Tufões, furacões e maremotos se tornariam mais frequentes nas regiões onde já ocorrem.

    Com tanto calor, é possível que algumas regiões hoje verdes se transformassem em desertos. A produção de alimentos entraria em colapso e pouca gente sobreviveria. Quem restasse enfrentaria um planeta revoltado pelo estrago causado por nós mesmos.

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    O que aconteceria se o nível do mar subisse 70 metros

    1. Golfo do México
    A região seria muito afetada. Boa parte da costa do México e da Flórida ficaria submersa. E os furacões, comuns por ali, seriam mais intensos e frequentes

    2. Mediterrâneo
    Veneza, as pirâmides do Egito e outros tesouros históricos seriam invadidos pelo mar. Há projetos para fechar a passagem do Atlântico para o Mediterrâneo

    3. Amazônia
    A água do mar avançaria pelo leito do rio Amazonas. O confronto da maré com o fluxo do rio, a pororoca, ocorreria a quilômetros de onde aparece hoje

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    4. Bacia do Prata
    Argentina, Uruguai e Rio Grande do Sul seriam invadidos pelo Atlântico, criando um golfo no local. As cataratas do Iguaçu desaguariam direto no mar

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