Petição para que Elon Musk perca cidadania canadense já tem quase 300 mil assinaturas
Documento acusa Musk, cuja mãe é do Canadá, de ameaçar a soberania do país junto ao presidente dos EUA Donald Trump. Entenda.

Desde o dia 20 fevereiro está uma aberta uma petição parlamentar no Canadá que pede para que o governo do país revogue a cidadania canadense do empresário Elon Musk e confisque o seu passaporte.
Musk tem três cidadanias. A primeira, claro, é a sul-africana: ele nasceu na cidade de Pretória em 1971. A segunda é americana: ele a conseguiu em 2002, após dez anos estudando e trabalhando nos EUA. E, por fim, a canadense: sua mãe, a modelo e nutricionista Maye Musk nasceu no país do xarope de bordo. Ela é natural de Regina, uma cidade de 200 mil habitantes no estado de Saskatchewan.
Musk aproveitou o passaporte canadense em 1989, quando ingressou na Queen’s University, uma universidade pública no estado de Ontário. Passou dois anos por lá antes de se mudar de vez para os EUA.
A petição partiu da enfermeira e escritora Qualia Reed e foi endossada pelo membro do Parlamento Charlie Angus, um crítico de Musk e do presidente dos EUA, Donald Trump (para além do apoio durante a campanha eleitoral, vale lembrar que Musk agora possui um cargo no governo americano, e sua principal tarefa é enxugar os gastos públicos).
Até a manhã desta quarta (26), a petição reunia mais de 300 mil assinaturas. O documento acusa Musk de se envolver em atividades que vão contra os interesses do Canadá, de ter usado seu poder e riqueza para influenciar as eleições do país e por trabalhar para um presidente que ameaça a soberania canadense.
No início do ano, Trump impôs tarifas de 25% sobre produtos do Canadá (e também do México). Os EUA são, de longe, o maior parceiro comercial do país: 70% das exportações canadenses vão para lá. O aumento nos impostos poderia arrasar a economia do país.
O aumento, porém, está suspenso até 4 de março, quando Trump deverá rever a decisão. Canadá e México têm feito concessões para agradar o presidente americano (como endurecer a segurança nas fronteiras para evitar o tráfico de drogas) e tentar se livrar da tributação extra.
Além do golpe comercial, Trump já demonstrou o desejo de anexar o Canadá. Em fevereiro, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, confessou a empresários e líderes sindicais da cidade de Toronto que a vontade do presidente americano é real é não deve ser descartada – e que provavelmente tem a ver com os recursos naturais do país. Trump costuma chamar Trudeau de “governador”, como se o Canadá já fizesse parte dos EUA.
O Canadá não é o único alvo na cruzada expansionista de Trump, diga-se. Ele também tem olhos na Groenlândia (uma região autônoma da Dinamarca), no Canal do Panamá e na Faixa de Gaza.
A petição ficará aberta até o dia 20 de junho. Se a cidadania de Elon Musk for mesmo cassada, ele só poderá solicitar uma nova em dez anos. A ver como o mapa-múndi depois da segunda era Trump estará até lá.