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Pessoas tendem a achar que heróis da ficção votam como elas

O estudo também mostrou que os voluntários associam vilões como Darth Vader aos partidos e políticos de que não gostam.

Por Eduardo Lima
21 mar 2025, 19h00

A polarização política se estende ao mundo da cultura pop: as pessoas acham que heróis como Harry Potter, Homem-Aranha e o mago Gandalf, de O Senhor dos Anéis, votariam nos mesmos candidatos que elas. Já vilões como Darth Vader, Cruella de Vil e Joffrey Baratheon, de Game of Thrones, obviamente votariam no partido rival.

É o que descobriu uma pesquisa conduzida pela Universidade de Southampton, do Reino Unido, com voluntários dos EUA e da Grã-Bretanha. Se você é o Amigão da Vizinhança, você obviamente concorda comigo. Já se você sequestra filhotes de dálmatas para fazer um casaco…

O estudo, publicado no periódico Political Science Research & Method, fez ainda um outro experimento em que apresentava aos participantes notícias positivas e negativas sobre políticos fictícios, sem revelar a qual partido eles pertenciam.

Resultado: os voluntários também tendiam a projetar suas preferências partidárias nos políticos “bonzinhos” e associar os “malvados” ao grupo rival.

 

Em quem será que o Shrek vota?

Os pesquisadores entrevistaram 3.200 pessoas. Os personagens utilizados vieram do Universo Cinematográfico Marvel, da Disney, da saga Harry Potter, da trilogia Senhor dos Anéis, de Game of Thrones e de Star Wars. Depois disso, elas eram questionadas sobre as possíveis preferências políticas dos heróis e vilões.

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Nos EUA, as pessoas escolhiam entre os Democratas, o partido de Joe Biden, e os Republicanos, que atualmente ocupam a presidência com Donald Trump. Já no Reino Unido, a polarização é entre o Labour, partido trabalhista do atual primeiro-ministro Keir Starmer, e o Conservative, partido de direita tradicional da Grã-Bretanha.

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As respostas de cada um dos participantes eram cruzadas e comparadas com suas próprias opiniões políticas e afiliações partidárias (80% representavam, em proporção igual, os dois principais partidos de seus países, e 20% eram eleitores que se consideram independentes, da “terceira via”).

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O resultado foi que, em 60% dos casos, o voluntários diziam que os mocinhos pertenciam a seu próprio lado no espectro político.

Essa tendência aparecia de forma mais intensa nas pessoas que tinham afiliações partidárias mais fortes, e as pessoas de esquerda do estudo tinham uma inclinação maior a repetir esses resultados do que os eleitores de direita. Os resultados também foram mais extremos nos Estados Unidos do que no Reino Unido.

A segunda parte do estudo, envolvendo as notícias que não explicitavam a afiliação partidária do político, foi conduzida só com os 1.600 participantes do Reino Unido. Eles eram apresentados a duas histórias: um vereador que doava dinheiro para caridade enquanto outro roubava dinheiro de instituições locais de apoio.

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Uma em cada seis pessoas, logo após ler a história, relatavam memórias falsas: mesmo sem terem tido acesso à informação sobre o partido político, esses participantes “se lembravam” que o ladrão era do partido rival ao seu, enquanto o político virtuoso era seu colega de trincheira política.

O cientista político Stuart Turnbull-Dugarte, que liderou o estudo, disse em um comunicado à imprensa que essa tendência de projeção das identidades políticas pessoais “não só é uma notícia ruim para a polarização, mas também nos faz mais suscetíveis a acreditar em desinformação que confirma nossos vieses existentes sobre os eleitores de certos partidos”.

Reduzir alguém a certos traços de sua identidade política nos torna presas mais fáceis de fake news.

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Dos 86 heróis e vilões apresentados para os participantes, 85 foram encaixados facilmente pelos participantes em caixinhas boas ou más. A única que escapou da dicotomia foi a Fada Madrinha do Shrek, uma vilã mais carismática que o normal. Fora do mundo da ficção, as pessoas são mais complexas e não podem ser tão facilmente definidas. Nem todo mundo que discorda de você é um vilão.

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