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O que é o “Conselho da Paz” de Trump e o que a ONU tem a ver com isso?

Aprovado inicialmente para supervisionar Gaza, o Conselho da Paz pode assumir funções que vão além do estabelecido pela ONU.

Por Ana Clara Caielli Barreiro
21 jan 2026, 19h00 •
  • Esta semana, Donald Trump convidou dezenas de líderes mundiais para integrar seu “Conselho da Paz” (Board of Peace, em inglês). O órgão que teria a função de supervisionar a Faixa de Gaza durante um governo de transição. À medida que mais detalhes sobre a iniciativa vêm a público, cresce o debate sobre um alcance do conselho maior do que o inicialmente previsto – e uma possível tentativa de enfraquecer o Conselho de Segurança da ONU.

    Para entender a proposta, é preciso voltar um pouco no tempo. Em outubro do ano passado, Israel e Hamas assinaram um acordo de cessar-fogo proposto pelos Estados Unidos, que interrompeu os combates na Faixa de Gaza. A iniciativa foi apresentada como o primeiro passo de um plano mais amplo, voltado ao encerramento definitivo do conflito.

    Agora, as negociações avançam para uma nova etapa, que prevê a criação de um “Conselho da Paz” internacional. Ele foi proposto inicialmente em novembro de 2025 pelos Estados Unidos e aprovado pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. (O Conselho de Segurança da ONU, vale lembrar, é composto por 5 países permanentes (China, EUA, França, Reino Unido, Rússia, com poder de veto) e 10 países não-permanentes eleitos). A proposta de Trump foi aprovada por 13 votos, com abstenção da China e Rússia.

    O Conselho de Paz teria o intuito de supervisionar o trabalho do Comitê Nacional para a Administração de Gaza, um governo de transição para reconstruir a região destruída por bombardeios nos últimos anos, que deixaram 68 mil mortos. O Comitê deve reportar suas ações ao Conselho de Segurança a cada seis meses.

    Nos últimos dias, dezenas de líderes mundiais foram convidados por Trump a integrar o Conselho de Paz por três anos – período acordado com a ONU. Entre eles está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Vladimir Putin (Rússia), Keir Starmer (Reino Unido), Emmanuel Macron (França) e Javier Milei (Argentina). O convite veio acompanhado de um rascunho do estatuto do Conselho.

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    Steve Witkoff, enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, disse em entrevista à CNBC que “mais de 20, talvez 25 líderes mundiais que já aceitaram”. Ainda assim, apenas alguns países confirmados abordaram o tema publicamente, como Israel, Egito, Hungria e Marrocos. Suécia e Noruega negaram a proposta. Até o Papa Leão XIV, primeiro comandante estadunidense do Vaticano, recebeu o convite, mas ainda está avaliando. Lula ainda não se pronunciou.

    Estatuto do Conselho

    A agência de notícias Bloomberg teve acesso ao rascunho do estatuto do conselho e às cartas-convite, que revelam informações cruciais sobre o rumo do Conselho da Paz. De acordo com os documentos, o conselho será chefiado vitaliciamente por Trump, mesmo após o eventual fim de seu mandato presidencial. Entre seus poderes, Trump poderá escolher os membros e vetar a participação de determinados países.

    Países que desejarem se tornar membros permanentes (ou seja, para além dos três anos iniciais) deverão pagar US$ 1 bilhão (mais de R$ 5 bilhões) valor que seria destinado à reconstrução da Faixa de Gaza.

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    O estatuto trouxe surpresas: diferentemente do que se esperava, o Conselho da Paz pretende atuar não apenas na reconstrução de Gaza, mas também na mediação de outros conflitos armados ao redor do mundo, com um escopo mais amplo e ambicioso. Essa parte, no entanto, não está de acordo com a proposta aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU. O estatuto define o órgão como “um organismo internacional de consolidação da paz mais ágil e eficaz” e afirma ser necessária “coragem para abandonar abordagens e instituições que falharam com demasiada frequência”.

    O trecho é uma referência direta à ONU. A manutenção da paz é justamente uma das principais atribuições do Conselho de Segurança. Desde o início do mandato, Trump se distancia da instituição: Uma das primeiras ações do presidente foi sair do Acordo de Paris e da Organização Mundial da Saúde (OMS). No dia 7 de janeiro de 2026, os Estados Unidos se retiraram de 31 entidades vinculadas à ONU.

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    Nesse contexto, o Conselho da Paz pode ser interpretado como uma alternativa (ou até um substituto) à organização. Em coletiva de imprensa no dia 20 de janeiro, Trump afirmou: “A ONU simplesmente não tem sido muito útil. A ONU deveria ter resolvido todas as guerras que eu resolvi. Eu nunca recorri a eles, nunca sequer pensei em recorrer”.

    Até agora, o Conselho da Paz já conta com um conselho executivo subordinado, composto por sete membros fundadores escolhidos a dedo por Trump. Entre eles estão Steve Witkoff, Jared Kushner (genro do presidente e investidor do ramo imobiliário), Tony Blair ex-primeiro-ministro do Reino Unido, e Ajay Banga, presidente do Banco Mundial. Também integram o grupo figuras econômicas e políticas dos EUA, como Marc Rowan, Marco Rubio e Robert Gabriel.

    O órgão também possui um conselho executivo específico para Gaza, do qual faz parte o bilionário israelense Yakir Gabay. Até o momento, não há informações sobre a inclusão de representantes palestinos.

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