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Mojito e muito mais: o papel de Cuba na história dos drinks

A contribuição da ilha vai muito além dos Daiquiris de Ernest Hemingway. Entenda.

Por Rafael Battaglia
18 jan 2025, 16h00

Quando a Lei Seca entrou em vigor nos EUA, em 1920, muitos bartenders deixaram o país em busca de trabalho. Alguns foram para a Europa. Outros partiram para Cuba.

A ilha era um tradicional destino turístico dos americanos endinheirados. Não à toa, boa parte desses profissionais arranjou emprego em hotéis e bares recém-comprados por empresários dos EUA. As aquisições rolaram quando o veto estava para começar, já na expectativa de que muita gente desceria até o Caribe atrás de um pileque.

Esse período ficou conhecido como a era de ouro da coquetelaria do país e durou até a Revolução Cubana, em 1959. Não à toa, o Nobel de Literatura Ernest Hemingway morou por mais de 20 anos em um rancho nos arredores de Havana. Notório beberrão, ele batia ponto no bar Floridita – foi lá que nasceu uma bebida em sua homenagem, o Hemingway Daiquiri, versão mais potente do Daiquiri, um clássico drink cubano.

Legal, mas tem um problema nessa história – ela está incompleta. “Os cubanos estão ausentes dos contos de sua própria era de ouro”, defende o escritor François Monti na publicação especializada Punch Drink. A coquetelaria de Cuba tem raízes anteriores à chegada dos americanos. O Mojito, por exemplo, apareceu nos bares de Havana ainda nos anos 1850. Ele vem de um preparo medicinal dos nativos da ilha à base de hortelã, limão e aguardente (era uma versão rudimentar do rum, que assim como a cachaça é feito com cana-de-açúcar).

O Daiquiri é creditado ao engenheiro americano Jennings Cox, que trabalhava em minas de ferro em Cuba durante a Guerra de Independência do país contra a Espanha, no final do século 19 (os EUA ajudaram os cubanos e, em troca, puderam intervir na política e na economia locais). É bem provável, contudo, que Cox tenha apenas se apropriado de uma mistura comum da região. O drink, afinal, consiste apenas de rum, limão e acúçar batidos.

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Em 1924, nasceu o Club de Cantineiros (“clube dos barmen”), associação que capacitava e dava aulas de inglês para bartenders cubanos – um jeito de fortalecer a mão de obra local ante os profissionais gringos. Em 1930, o Club publicou o seu primeiro manual, com centenas de preparos clássicos e ao menos 60 inéditos. Dá para acessá-lo na íntegra aqui.

Eram receitas diversas; muitas nem sequer tinham rum. É o caso do Adalor, que leva champanhe e pêssego macerado com um garfo. Ele nasceu anos antes do Bellini, drink italiano mais conhecido e que leva os mesmos ingredientes. Os cubanos também foram responsáveis por popularizar o uso do liquidificador e de diferentes formatos de gelo no preparo de coquetéis, o que possibilitou a criação de bebidas com várias texturas. Se você gosta de frappés e frozens alcoólicos, agradeça a eles.

Talvez a única grande contribuição realmente americana nessa história tenha sido o Cuba Libre. O drink com rum e Coca-Cola nasceu durante a Guerra da Independência, mas ganhou o mundo após a 2ª Guerra Mundial: em um acordo com os britânicos, a marinha dos EUA montou uma linha de defesa no Caribe, o que fez com que milhares de soldados se instalassem nas ilhas. Ao chegarem lá, ficaram deslumbrados com o destilado de cana (que era mais barato que cerveja) e beberam em doses cavalares junto com o refri, na época vendido ao exército por módicos cinco centavos a garrafa.

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Mojito

1 – Leve ao fogo partes iguais de água e açúcar e mexa até dissolver. Reserve 10 ml desse xarope, bastante usado na coquetelaria, e coloque-o num copo alto. Se não quiser esse trabalho, use duas colheres de sopa rasas de açúcar.

2 – Junte uma dose (de 45 ml a 60 ml) de rum branco, 20 ml de suco de limão taiti e folhas de hortelã a gosto. Misture, tomando cuidado para não macerar as folhas.

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3 – Adicione gelo triturado em dois terços do copo e complete com água com gás. Finalize com uma rodela de limão e mais hortelã.

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