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Do Velho Oeste à Lei Seca, a influência dos EUA no mundo dos drinks

Entenda como a bebedeira dos caubóis no século 19 e a proibição nos anos 1920 moldaram a forma como bebemos hoje.

Por Rafael Battaglia
28 jan 2025, 10h00

Até o século 14, a humanidade só conhecia bebidas fermentadas. A destilação mudou isso, e possibilitou preparos menos perecíveis e de alto teor alcoólico. De início, eram receitas usadas como remédio, mas que com o tempo se disseminaram para encher a cara.

Os destilados eram consumidos puros, mesmo. A coquetelaria moderna só tomou forma a partir do século 19, nos EUA. Na época, milhões de pessoas ocuparam o meio-oeste americano em busca de ouro, e os destilados eram os queridinhos dos migrantes – não apodreciam e entregavam mais álcool num volume menor em comparação com vinho e cerveja. Foi no século 19 também que métodos de refrigeração mais eficientes popularizaram o uso de um ingrediente essencial para um drink: o gelo.

A expansão pelo oeste rendeu fortunas a donos de ferrovias e mineradoras. Na esteira, surgiram clubes e hotéis para abrigar os novos milionários – e os bares desses estabelecimentos acompanharam o requinte. Em 1862, o americano Jerry Thomas publicou o Guia do bartender, considerado o primeiro livro a reunir receitas de coquetéis. Nas décadas seguintes, a expertise ianque foi exportada para hotéis de luxo ao redor do mundo.

O glamour, porém, era exceção. Na maioria dos botecos do interior dos EUA (os saloons), o ambiente era sujo e violento. Bebia-se principalmente uísque de milho – cujo teor alcoólico, na época, chegava a 80%. No final do século 19, a Liga Anti-Saloon (formada majoritariamente por mulheres), liderou manifestações que pediam pelo fim dos bares. A pressão funcionou: em 1920, o governo baixou a Lei Seca, que proibia a venda de álcool em todo o país.

A partir daí, o jeito era conseguir birita via contrabando (alô, Al Capone), com destilarias ilegais ou modificando álcool industrial, impróprio para consumo. O resultado final, claro, era péssimo: algumas pessoas usavam carne podre e alcatrão de madeira para emular o gosto defumado de um uísque envelhecido. Ugh.

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Para mascarar o gosto do álcool, era preciso misturá-lo com outros ingredientes. Foi assim que, em casa e nos speakeasies (os bares clandestinos), muita gente começou a fazer coquetéis (antes, uma técnica restrita aos profissionais). Algumas das misturas mais certeiras existem até hoje, caso do Bee’s Knees, que leva gim, mel e limão-siciliano.

A Lei Seca durou até 1933. Mas a preferência por bebidas mais doces, sem gosto de álcool, continuou por décadas: a oferta de bebidas de qualidade voltou a minguar na 2ª Guerra. Além disso, a indústria alimentícia inundou o mercado com misturas pré-prontas para drinks repletas de açúcar. Anos ingratos para a coquetelaria.

O renascimento dos drinks só veio no final da década de 1980, quando alguns bares de Nova York ressuscitaram clássicos do século 19, caso do Manhattan e do Old Fashioned (ambos à base de uísque). De quebra, também recriaram a atmosfera intimista e pouco iluminada dos salões dos speakeasies e aprimoraram os coquetéis da Lei Seca.

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A pegada nostálgica, aliada a novas técnicas e ingredientes, fez sucesso e transformou muitos bartenders em celebridades. Um deles foi Toby Cecchini, que atualizou uma receita dos anos 1930 e criou o Cosmopolitan – um drink alçado à fama no fim dos anos 1990 graças à série Sex and the City. Abaixo você confere como ele é feito.

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Cosmopolitan

1 – Encha uma coqueteleira com gelo. Adicione de 40 ml a 50 ml de vodca, 15 ml de Cointreau (um licor de laranja), 30 ml de suco de cranberry e 15 ml de suco de limão taiti. Agite até sua mão começar a gelar.

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2 – Coe a mistura em um copo previamente gelado (de preferência, uma taça de martini). Finalize com uma tira fina da casca de um limão-siciliano ou de laranja bahia (sem a parte branca para não amargar).

 

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