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Dinheiro traz felicidade, segundo vencedor do Nobel de Economia

Mas o bem-estar para de aumentar quando um certo nível de renda é alcançado, segundo revisão de estudos.

Por Luisa Costa
7 mar 2023, 17h25 • Atualizado em 13 mar 2023, 19h25
  • Dinheiro traz felicidade? Engana-se quem pensa que esta é só uma pergunta filosófica de boteco. Muito pelo contrário: quem se debruça para valer sobre a questão são vencedores do Nobel de Economia. É o caso do psicólogo israelense Daniel Kahneman e do economista americano Angus Deaton.

    Kahneman é considerado um dos fundadores da economia comportamental, uma área que se apoia na psicologia para entender quais fatores afetam as decisões financeiras de alguém. Foi por integrar conhecimentos da psicologia à economia que ele recebeu o prêmio da Academia Real de Ciências da Suécia, em 2002.

    Oito anos depois, Kahneman se juntou a Argus – que receberia o Nobel de Economia em 2015 por seus trabalhos sobre consumo, pobreza e bem-estar social – para tentar responder à grande questão. Eles publicaram um estudo que correlaciona nível de renda de mil americanos com seu grau de satisfação pessoal e bem-estar emocional, segundo respostas fornecidas em um questionário entre 2008 e 2009.

    Eles chegaram à seguinte conclusão: quanto mais dinheiro alguém ganha, mais feliz e satisfeita essa pessoa se sente. Só que essa correlação não é tão evidente na faixa de pessoas que ganham entre 60 e 90 mil dólares por ano (entre R$ 5 e 7,5 mil mensais). E, entre aqueles que recebiam valores maiores que estes, mais dinheiro já não significava mais felicidade.

    O estudo foi amplamente divulgado na época. Mas ele também foi rebatido por Matthew Killingsworth, um pesquisador da Universidade da Pensilvânia que coleta dados sobre felicidade. Ele publicou uma pesquisa, em 2021, sugerindo que a felicidade média aumenta consistentemente com a renda. E, então, qual seria a conclusão correta?

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    Para resolver o impasse, Kahneman juntou-se a Killingsworth e Barbara Mellers, também da Universidade da Pensilvânia. “Nós nos envolvemos em uma colaboração contraditória para buscar uma interpretação coerente de ambos os estudos”, eles explicam no estudo publicado este mês na PNAS.

    Os pesquisadores reanalisaram os dados coletados nos Estados Unidos em 2010 e 2021 para entender onde cada estudo deixou a desejar. E assim chegaram a uma conclusão mais sutil: de que pessoas felizes se sentem ainda melhores conforme ganham mais dinheiro; por outro lado, entre pessoas infelizes, o bem-estar para de aumentar quando um certo nível de renda é alcançado.

    “Kahneman e Deaton poderiam ter chegado à conclusão correta”, escrevem os pesquisadores, “se tivessem descrito seus resultados em termos de infelicidade em vez de felicidade; porque suas medidas não podiam discriminar entre os graus de felicidade [que seriam essenciais para entender a questão].”

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    Uma renda mais alta faria com que as pessoas sentissem um controle maior sobre suas vidas – mas não resolve tudo. “Para pessoas muito pobres, o dinheiro claramente ajuda muito”, disse Killingsworth à New Scientist. “Mas se você tem uma renda decente e ainda se sente miserável, a fonte de sua tristeza provavelmente não é algo que o dinheiro possa consertar.” (Saiba mais sobre o que está por trás da felicidade nesta matéria da Super.)

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