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Como uma ponte foi transportada do Brasil para Angola

Operação aérea inédita levou 48 toneladas de peças de uma ponte estaiada de São Paulo a Luanda em apenas seis dias, tempo de transporte inédito

Por Elaine S. Mendes
26 fev 2026, 17h05 •
  • Luanda, a capital de Angola, vai receber um novo Centro de Convenções na região de Chicala, que promete ser uma das maiores infraestruturas do país. Com uma obra orçada em cerca de US$ 316,8 milhões, o complexo ocupará uma área de 72 mil m² e contará com um teatro de três mil lugares.

    Gigante e moderno, um dos pontos cruciais da construção é uma ponte estaiada, estrutura típica da engenharia moderna, em que a pista é sustentada por cabos de aço, como a Ponte Octávio Frias de Oliveira, em São Paulo. Ela vai conectar o Centro de Convenções à nova Marginal de Luanda. Mas há um detalhe curioso: a ponte estava no Brasil.

    Transportar uma ponte já é, por si só, um desafio logístico, visto que as peças são enormes e pesadas. No caso da ponte de Luanda, a complexidade era ainda maior, pois a obra, com inauguração prevista para abril deste ano, exigia que o material chegasse o mais rápido possível

    A missão ficou a cargo da empresa de logística brasileira DHL Global Forwarding, que conseguiu transportar 48 toneladas de equipamentos da ponte – alguns com mais de seis metros de comprimento – em apenas seis dias (144 horas), saindo de São Paulo e chegando a Luanda em um tempo de trânsito inédito.

    Pensando na velocidade, a ponte, construída pela empresa brasileira Protende ABS, precisou atravessar o Atlântico de avião, uma alternativa muito mais rápida do que o transporte marítimo. A opção aérea, no entanto, traz desafios adicionais: aeronaves suportam menos peso e volume do que navios.

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    As peças da ponte, com propriedades geométricas distintas, não caberiam em uma aeronave de transporte padrão. Foi necessário recorrer a um voo charter (palavra chique para dizer que a DHS alugou um avião), utilizando uma aeronave capaz de transportar cargas maiores e mais pesadas.

    E não para por aí. As peças da ponte não podem simplesmente ficar soltas dentro do avião. Elas exigem proteção, cuidados especiais e precisam atender a normas de segurança. Para isso, foram desenvolvidas embalagens e estruturas de fixação sob medida.

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    Entre os itens transportados estavam os tubos antivandalismo, usados para revestir os cabos de sustentação da ponte e protegê-los tanto de danos naturais quanto de intervenções humanas.

    Esta foi uma das primeiras exportações por via aérea de sistemas de aterramento já realizadas no Brasil. O país, que já é referência mundial em logística, agora também se posiciona como pioneiro na exportação de sistemas de engenharia pesada, um tipo de operação extremamente complexa.

    Para comparação: no fim dos anos 1960, a London Bridge original foi comprada por um magnata americano para se tornar um ponto turístico em Lake Havasu City, no Arizona. Na época, o processo de desmontagem, transporte e reconstrução da ponte, feita de blocos de pedra, levou cerca de três anos.

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