Astronautas “presos no espaço” têm retorno adiado mais uma vez, agora para o fim de março
O que era para ser uma missão de oito dias já dura quase duzentos – e ainda deve levar mais alguns meses.

Os astronautas da Nasa Butch Wilmore e Suni Williams estão “presos” na Estação Espacial Internacional (ISS) desde 5 de junho. A missão dos dois deveria ter durado apenas 8 dias, mas segue ativa desde que a cápsula Starliner, da Boeing, apresentou problemas nos propulsores e um vazamento de hélio.
A Starliner retornou vazia à Terra no começo de setembro, deixando os dois astronautas “presos” na ISS. A Boeing afirma que a cápsula ainda estava em condições de retornar com a tripulação, mas a Nasa decidiu que não era possível garantir com certeza a segurança dos tripulantes.
Houve, então, uma negociação para que os dois astronautas retornassem de carona na cápsula Dragon, da SpaceX, em fevereiro de 2025. A nave viajou com dois espaços vazios para acomodar os astronautas e já está na ISS desde 30 de setembro. Mas, agora, o retorno foi adiado mais uma vez.
Isso porque a partida da ISS em fevereiro depende da chegada de uma outra tripulação para a substituição dos profissionais. O lançamento dessa tripulação substituta foi adiado em mais um mês, já que a SpaceX precisa de mais tempo para preparar a nova cápsula. A nova data não foi especificada, mas não deve ser antes do fim de março.
A Nasa prefere que as trocas das equipes sejam sobrepostas – ou seja, que a ISS nunca fique totalmente vazia. Por isso, uma equipe precisa esperar a outra chegar para poder partir.
A agência até considerou a possibilidade de usar uma cápsula diferente da SpaceX para transportar a tripulação substituta, a fim de manter os voos dentro do cronograma. Mas decidiu que a melhor opção era aguardar a nova cápsula para transportar a próxima tripulação.
A missão da Starliner era uma missão de teste, e não é raro que esses casos apresentem problemas. Mesmo assim, a situação está feia para a Boeing, que há anos já enfrentava uma percepção ruim do público. A missão que falhou foi o primeiro lançamento tripulado da empresa, e teria sido a última etapa para a empresa receber a certificação da Nasa.
O processo de certificação foi atribulado, com uma sequência de fracassos e reprovações em voos espaciais não tripulados, que precisaram ser repetidos. Ainda não está claro se a agência irá exigir que a Boeing execute outro teste de voo tripulado.
O custo adicional desses testes seria significativo para a Boeing, que já absorveu US$ 1,6 bilhão de despesas (aproximadamente R$ 9,87 bilhões) e só receberá o pagamento da Nasa após cumprir todos os marcos acordados no contrato de US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 25,9 bilhões).