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3 brasileiras que estão mudando a política, a cultura – e até o lixo

Uma artista, uma ativista política e uma cientista, todas gerando impacto inversamente proporcional à idade. Conheça as finalistas da categoria Revelação do Prêmio Claudia.

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
19 set 2017, 19h08 • Atualizado em 11 mar 2024, 16h22
  • As pequenas “gênias” a seguir começaram, desde muito cedo, a ter um enorme impacto nas suas áreas de atuação. Uma artista, uma cientista política e uma futura engenheira são as candidatas finalistas da 22ª edição do Prêmio Claudia na Categoria Revelação. Conheça aqui um pouco das suas histórias e vote na sua favorita no site do Prêmio.

    Mc Soffia

    Soffia Gomes da Rocha Gregória Correa é um dos melhores exemplos do poder e do impacto positivo da atual “onda” do empoderamento.  A rapper negra de 13 anos, quando era ainda mais jovem, não encontrava ninguém que se parecesse com ela na televisão. A falta de ícones feriu fundo – ela conta ao site do Prêmio Claudia que chegou a querer ser branca.

    Sabendo a importância de se sentir representada, Mc Soffia começou a compor e cantar raps voltados a meninas iguais a ela, enaltecendo sua cor, seu cabelo e suas origens. Em Menina Pretinha, ela não apenas faz isso como, de forma muito direta, rejeita os “elogios tortos” que crianças negras recebem: “Menina pretinha/Exótica não é linda/Você não é bonitinha/Você é uma rainha”.

    A carreira musical segue junto com um movimento pela aceitação, autoestima e engajamento das meninas negras, em uma época tão crucial quanto a adolescência. Além dos shows, Mc Soffia lidera oficinas e encontros como o Preteenha Rainha, em São Paulo, que quer criar um espaço para diálogo e protagonismo para essas garotas, com programação que vai desde rodas de conversa até workshops de beleza e maquiagem.

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    Tabata Amaral de Pontes

    Vinda da periferia no extremo sul de São Paulo, Tabata começou sua “carreira” no 6º ano (antiga 5ª série). Seu ótimo desempenho na Olimpíada Brasileira de Matemática rendeu uma bolsa em um colégio particular no Ensino Médio e depois seis vagas em universidades americanas. Por pouco não foi: seu pai, cobrador de ônibus, faleceu bem na época das matrículas, vítima de complicações por abuso de álcool. Com apoio dos professores, Tabata não desistiu e foi para Harvard, onde conquistou bolsa integral.

    Mas esse é só o começo da história. Por lá, ela cursou uma combinação curiosa de cursos: astrofísica e ciência política. E fechou o ciclo com uma tese sobre o cenário educacional brasileiro. Ainda estava em Harvard quando, com outros amigos brasileiros, começou uma discussão sobre a falta de pautas educacionais por parte dos candidatos na eleição presidencial de 2014.

    O manifesto que começaram a elaborar virou o Mapa do Buraco, uma iniciativa que reuniu relatos de especialistas para entender quais eram as principais deficiências da educação brasileira (o quão fundo era o buraco) e as iniciativas desenvolvidas em várias cidades para superá-los (o mapa para fora do buraco). Com o fim das eleições, o movimento se expandiu, tornando-se o Mapa Educação – do qual a próxima finalista, Sayuri Magnabosco, também faz parte.

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    No início deste ano, Tabata ajudou a fundar o Acredito, um segundo movimento popular apartidário, que defende a renovação da política brasileira e critica a situação de polarização política atual. Agora com 23 anos, a jovem quer continuar estudando, mas também pretende, ela mesma, fazer parte da política – quem sabe, um dia, como presidente do país.

    Sayuri Magnabosco

    Quanto lixo você produz em um dia? Um papel aqui, uma plástico ali, uma embalagem de isopor acolá… Sayuri Magnabosco estava à procura de um problema para a resolver – e as embalagens chamaram sua atenção.

    Estudante do Ensino Médio, ela queria concorrer ao Prêmio Jovem Cientista de 2014, uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), indicado a ela por um professor do colégio. Uma vez que o problema foi identificado, como encontrar uma forma de tornar as embalagens menos agressivas ao meio ambiente?

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    Sayuri passou a buscar alternativas para embalagens de isopor, que pode levar 150 para se decompor. Foi no bagaço de cana de açúcar que encontrou seu candidato ideal. Barato, leve, resistente e muito comum no Brasil, já que é um material que sobra durante a produção de etanol. Na casa dos pais, em Curitiba, ela elaborou a mistura da sua embalagem sustentável, com um molde similar ao de bandejas de isopor.

    O prêmio inicial ela não levou, mas os benefícios a jovem colhe até hoje. Foi convidada para participar de feiras de ciências por todo o país e acabou ganhando a chance de ir para a Genius Olympiad, encontro internacional de projetos de secundaristas que acontece nos EUA.

    Três anos e muitas apresentações em feiras de ciências que renderam medalhas depois, a estudante foi aceita com bolsa em 8 universidade americanas e vai iniciar os estudos em engenharia biomédica na concorrida Dartmouth College. Também faz parte da diretoria de gestão do Mapa Educação.

    E a embalagem? Sayuri continua trabalhando nela. O modelo inicial só é apropriado para alimentos secos, então a próxima fase é descobrir a forma ideal e segura de impermeabilização. O candidato atual – que, é claro, também precisa ser sustentável – é a cera de abelha.

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