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Solidão pode estar associada a maior risco de doenças cardíacas, derrames e infecções

Estudo com 42 mil pessoas encontrou níveis mais altos de determinadas proteínas em pessoas que relataram isolamento social ou solidão

Por Bela Lobato
11 jan 2025, 12h00

A solidão e o isolamento social podem causar impactos muito além do que na socialização e na saúde mental. Um novo estudo aponta uma relação entre os dois fenômenos e diversas proteínas associadas a várias doenças. 

“Sabemos que o isolamento social e a solidão estão ligados a uma saúde mais precária, mas nunca entendemos o motivo.”, disse Chun Shen, o primeiro autor da pesquisa, em comunicado. A partir dos dados de 42 mil pessoas do Reino Unido, os pesquisadores britânicos e chineses encontraram associações que sugerem que a solidão aumenta o risco de doenças cardíacas, derrames e prejudica o sistema imunológico.

Publicado no último dia 3 na revista Nature Human Behaviour, o estudo afirma ter descoberto pelo menos um dos mecanismos envolvido no adoecimento da solidão: a presença de proteínas na corrente sanguínea. Dentre os 42 mil participantes, 9,3% relataram viver um isolamento social e 6,4% relataram sentir solidão. 

Para os pesquisadores, o isolamento social é uma medida objetiva baseada, por exemplo, no fato de alguém viver sozinho, na frequência com que tem contato social com outras pessoas e se participa de atividades sociais. A solidão, por outro lado, é uma medida subjetiva baseada no fato de um indivíduo se sentir solitário.

Depois de considerar o peso de fatores como idade, sexo, nível de escolaridade e socioeconômico, tabagismo e consumo de álcool, a pesquisa encontrou 175 proteínas associadas ao isolamento social e 26 associadas à solidão. Muitas das quais se sobrepõem, e, embora estejam presentes em outras pessoas, seus níveis são mais altos entre os que relatam esses sintomas. 

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As proteínas são moléculas produzidas por nossos genes e são essenciais para o bom funcionamento do nosso corpo. Elas também podem servir como alvos úteis para medicamentos, permitindo que os pesquisadores desenvolvam novos tratamentos para combater doenças. As proteínas identificadas são envolvidas em processos inflamatórios, respostas antivirais e no sistema imunológico. 

O próximo passo foi um estudo aprofundado com um banco de dados que acompanhou a saúde dos participantes durante cerca de 14 anos, os pesquisadores constataram que cerca de 90% dessas proteínas estão ligadas ao risco de mortalidade. Além disso, 50% estão ligadas a doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e derrame.

Uma das proteínas, por exemplo, é conhecida como ADM. Estudos anteriores mostraram que essa proteína regula os hormônios do estresse. Além disso, a proteína também regula o funcionamento do “hormônio do amor”, a ocitocina, que pode reduzir o estresse e melhorar o humor.

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Os pesquisadores também encontraram uma forte associação entre o aumento da ADM e a diminuição do volume da ínsula, uma parte do cérebro que administra nossa capacidade de sentir o que está acontecendo dentro do nosso corpo. 

Níveis mais altos de ADM também foram associados a um menor volume do caudado esquerdo, uma região envolvida em processos emocionais, de recompensa e sociais. Além disso, o aumento da proteína também é associado a um maior risco de morte precoce.

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Uma análise estatística permitiu separar causa e efeito: os pesquisadores constataram que as proteínas não parecem causar a solidão nem o isolamento social. Entretanto, essas condições influenciam os níveis de cinco proteínas. “Descobrimos que todas essas cinco proteínas estão relacionadas a vários marcadores metabólicos e de inflamação”, disse Shen em entrevista ao The Guardian.

Entre outras descobertas, essas cinco proteínas explicaram parcialmente a associação entre solidão e doenças cardiovasculares, derrame e mortalidade, com quatro das cinco associadas ao volume das regiões cerebrais envolvidas em processos emocionais e sociais e à percepção do cérebro sobre o estado do corpo.

“Essas descobertas evidenciam a importância do contato social para nos mantermos bem. Cada vez mais pessoas de todas as idades estão relatando que se sentem solitárias. É por isso que a Organização Mundial da Saúde descreveu o isolamento social e a solidão como uma ‘preocupação global de saúde pública’.”, disse Barbara Sahakian, uma das autoras, em comunicado. “Precisamos encontrar maneiras de lidar com esse problema crescente e manter as pessoas conectadas para ajudá-las a se manterem saudáveis.”

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