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O que se sabe sobre o vírus de Marburg, recentemente detectado na Guiné

O vírus pertence à família Filoviridae, a mesma do Ebola, e sua taxa de letalidade pode chegar a 88%.

Por Carolina Fioratti
10 ago 2021, 16h39 •
  • Nesta segunda-feira (9), foi confirmada a primeira morte causada pelo vírus de Marburg na África Ocidental. A vítima era um habitante do distrito de Gueckedou, na Guiné, que chegou a procurar uma clínica local na semana passada, mas não resistiu. O diagnóstico de Marburg foi confirmado por cientistas do laboratório nacional de febre hemorrágica da Guiné e do Instituto Pasteur no Senegal, que analisaram amostras do vírus retiradas do paciente já falecido.

    O vírus de Marburg não é novo. Ele apareceu pela primeira vez na Europa, em 1967, quando funcionários de laboratórios das cidades de Marburgo e Frankfurt, ambas na Alemanha, adoeceram após ter contato com tecidos de macacos infectados importados de Uganda. O patógeno foi isolado e identificado por cientistas após três meses

    Houve 12 surtos de Marburg registrados no mundo até hoje, com a maior parte deles tendo ocorrido nas regiões sul e leste do continente africano. Os surtos mais significativos ocorreram na República Democrática do Congo (1998-2000) e em Angola (2004-2005), deixando, respectivamente, 128 e 227 mortos. Nas outras vezes em que o patógeno deu as caras, houve poucos infectados e as mortes não ultrapassaram a marca de sete pessoas.

    De toda forma, a chegada do agente infeccioso à África Ocidental merece atenção. O vírus de Marburg é um filovírus, conhecido por ser altamente contagioso. Ele é transmitido para humanos através de morcegos frutíferos, e se espalha entre as pessoas devido ao contato da pele e mucosas com fluidos corporais – saliva, sangue, urina, entre outros – de pacientes infectados.

    As autoridades da Guiné já estão rastreando pessoas que tiveram contato com o homem falecido. Até o momento, foram identificados 150 indivíduos que podem estar em risco, sendo quatro deles casos mais preocupantes, o que inclui um profissional de saúde.

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    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em surtos anteriores as taxas de letalidade do vírus de Marburg variaram entre 24% e 88%, dependendo da cepa do vírus e do tratamento dos casos. O vírus de Marburg é primo do vírus causador do Ebola, também da família Filoviridae. Dessa forma, seus sintomas são semelhantes, incluindo febre, dor de cabeça, sangramento interno ou externo e falência de órgãos. 

    A região de Gueckedou, onde o vírus de Marburg foi identificado, havia passado por um surto de ebola no começo deste ano, que foi controlado há dois meses. Os primeiros casos da epidemia de Ebola que ocorreu entre 2014 e 2016 na África Ocidental também foram registrados nessa área.

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