Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Abril Day: Super por apenas 4,00

O ensurdecedor silêncio sobre o direito à morte assistida no Brasil

Quem tem uma doença incurável, terminal e/ou irreversível não pode escolher parar de sofrer.

Por Luciana Dadalto
25 ago 2025, 12h00 •
  • Quantos anos você gostaria de viver? Imagino que sua resposta seja “depende”. Depende da qualidade de vida. Essa é a resposta mais comum. Quantos anos você gostaria de viver sofrendo com uma doença/condição grave, incurável, terminal e/ou irreversível? É possível que a sua resposta seja diferente. Estudos feitos em vários países revelam que, diante de um quadro de adoecimento grave e irreversível, a maioria das pessoas trocaria a quantidade pela qualidade do tempo de vida.

    Em países como Holanda, Canadá e Nova Zelândia, essa “troca” pode ser feita de várias maneiras: a pessoa pode se recusar a fazer um tratamento, pode não insistir nele, pode optar pela não iniciação ou suspensão de suportes artificiais de vida, pode receber cuidados paliativos e pode escolher morte assistida.

    O termo “morte assistida” define as práticas de abreviação da vida de alguém que esteja gravemente doente (mas competente para tomar decisões), com o auxílio de um terceiro. Quando esse terceiro é o responsável pela ação que gera a morte, a situação é conhecida por “eutanásia”; quando o terceiro prescreve um fármaco letal para ser administrado pela própria pessoa adoecida, trata-se de “suicídio assistido”.

    No Brasil, a morte assistida não é uma opção, pois a eutanásia e o suicídio assistido são ilegais. Em nosso país, uma pessoa que vivencia sofrimento intolerável em decorrência de uma doença/condição grave, incurável, terminal e/ou irreversível, não pode escolher parar de sofrer. Ela pode escolher, apenas, sofrer menos.

    Nos últimos dez anos, diversas sociedades debateram a morte assistida, muitos países legislaram sobre o tema e algumas Supremas Cortes autorizaram a prática para pessoas que comprovaram vivenciar sofrimento intolerável. No Brasil, o Legislativo nunca avançou em um projeto de lei, e o STF nunca foi provocado a decidir em um caso concreto. Aqui, apenas há poucas semanas foi criada a primeira associação civil (nomeada de “Eu Decido”) que luta pelo direito à morte assistida.

    Continua após a publicidade

    Muitas pessoas justificam essa realidade brasileira com base na hegemônica moralidade judaico-cristã que molda nossa sociedade. Mas ela, por si só, não pode ser entendida como suficiente para que continuemos a não discutir a morte assistida e a negar o direito de escolha a pessoas gravemente doentes. Pois, ao fazê-lo, estamos forçando pessoas que já estão morrendo a existir em uma vida que, para elas, é sinônimo de sofrimento.

    Luciana Dadalto é advogada, pesquisadora de temas relacionados a autonomia e dignidade no fim da vida e presidente da associação Eu Decido.

    Compartilhe essa matéria via:

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas

    ABRILDAY

    Digital Completo

    Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
    Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    ABRILDAY

    Revista em Casa + Digital Completo

    Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.