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Não gosta de vegetais? O problema pode estar na sua boca

Um gene específico aumenta a sensibilidade a sabores amargos — e essa pode ser a causa da sua repulsa por brócolis e cia.

Por Maria Clara Rossini
12 nov 2019, 18h21 • Atualizado em 23 mar 2020, 15h10
  • Todo mundo sabe que comer vegetais é importante para a saúde — e mesmo assim, muita gente se recusa a colocar uma rúcula na boca.

    Para algumas pessoas, o sabor de alimentos amargos é muito mais forte e insuportável do que o normal. Se você é um desses, a explicação pode estar nos seus genes.

    Todo mundo herda genes responsáveis por detectar o gosto dos alimentos. O gene TAS2R38, por exemplo, fica encarregado dos sabores amargos. Ele contém duas variantes, chamadas AVI e PAV, e são elas que indicam se uma pessoa é mais ou menos sensível a esse gosto.

    Aí está a diferença na percepção de sabor. Acontece que cada pessoa tem uma combinação específica dessas duas variações. Quem tem duas cópias do AVI é menos sensível à molécula PTC, que confere o sabor amargo do alimento. Os portadores de um AVI e um PAV conseguem perceber bem o gosto amargo. O problema está em quem tem duas cópias do PAV: eles o sentem de forma muito mais forte.

    Essas pessoas são chamadas de superdegustadores, justamente porque são muito sensíveis a determinados sabores. É comum que eles não gostem de alimentos como brócolis, couve-de-bruxelas e até café, cerveja e chocolate amargo.

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    Pesquisadores da Associação Americana do Coração analisaram a relação entre as variantes do gene TAS2R38 e os hábitos alimentares de 175 participantes. Eles fizeram um ranking com os indivíduos que incluíam mais vegetais em sua dieta. As pessoas que possuem a combinação dupla da variante PAV no gene tinham o dobro de chances de estar no final da lista.

    E não é só isso. Outra pesquisa realizada em 2018 mostrou que quem é sensível aos sabores amargos tem 30% mais chances de desenvolver câncer — justamente por não incluírem alimentos saudáveis na dieta.

    Cerca de 25% da população mundial é composta por superdegustadores, sendo a maioria mulheres. “A genética afeta a maneira como as pessoas sentem os sabores, e esse é um fator importante na escolha alimentar”, diz Jennifer Smith, autora da pesquisa, em nota. Segundo ela, os nutricionistas devem considerar o paladar do paciente se quiser que ele siga uma dieta saudável.

    “Nós esperamos poder usar informação genética para escolher quais vegetais e temperos são mais palatáveis para essas pessoas para facilitar e incentivar o consumo de vegetais”, diz a pesquisadora.

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