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Gripe aviária mata metade dos felinos em santuário nos EUA

As mortes de tigres, pumas e outros carnívoros ocorreram em apenas um mês. A doença também causa grandes surtos em bovinos e já contaminou alguns humanos.

Por Bela Lobato
28 dez 2024, 12h00

Vinte grandes felinos, incluindo um tigre meio-bengalês e quatro pumas, morreram entre o final de novembro e meados de dezembro em um santuário nos EUA. Eles haviam sido infectados pela gripe aviária, causada pelo vírus H5N1. O país já enfrenta um grande surto da doença em gado, com dezenas de rebanhos infectados e casos de transmissão por meio do leite bovino cru. 

Até novembro, o santuário Wild Felid Advocacy Center of Washington abrigava cerca de 40 felinos selvagens resgatados de situações de abuso. Mais da metade morreu desde que o vírus começou a se manifestar na população de pumas, com vários deles desenvolvendo sintomas semelhantes aos de uma pneumonia. 

Em poucos dias, outras espécies começaram a apresentar sinais da doença. Alguns dos gatos compartilhavam uma parede comum entre seus habitats, mas não interagiam diretamente.

“Essa infecção viral devastadora, transmitida por aves selvagens, se espalha principalmente por meio de secreções respiratórias e contato entre aves, podendo também ser contraída por mamíferos carnívoros que ingerem aves ou outros produtos”, anunciou o santuário, em comunicado. “Os gatos são particularmente vulneráveis a esse vírus, que pode causar sintomas iniciais sutis, mas que progridem rapidamente, muitas vezes resultando em morte dentro de 24 horas devido a condições semelhantes à pneumonia.” 

Foto de Serval (Leptailurus serval) olhando para pastagens, África.
No santuário Wild Felid Advocacy Center of Washington, o maior baque foi nos servais, felinos africanos de pequeno porte. Foram cinco mortos, o maior número de uma única espécie. (Martin Harvey/Getty Images)

O santuário trabalha com as autoridades para determinar a origem do vírus, embora tenha sido difícil identificar como ele entrou no local. As fezes de pássaros selvagens podem ter infectado os habitats dos gatos ou a carne usada para alimentar os animais. 

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Mais de 3 toneladas de alimentos armazenados em congeladores foram retirados para evitar novas infecções. Agora, o santuário inicia um processo de saneamento que pode levar meses.

“Temos que passar por todos os habitats e desinfetá-los”, disse Mark Mathews, diretor do santuário, em entrevista ao New York Times. “Qualquer palha ou matéria orgânica precisa sair, ser ensacada e depois queimada, e então temos que desinfetar novamente.”

Os funcionários do santuário usam roupas de proteção e máscaras N95, e estão higienizando seus sapatos para evitar que qualquer partícula de vírus se espalhe.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre agosto e setembro de 2024 foram registrados surtos de influenza aviária em felinos selvagens em cativeiro em dois zoológicos no sul do Vietnã. Isso levou à morte de pelo menos 47 tigres, três leões e um leopardo.

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O que é o vírus H5N1, da gripe aviária?

O vírus H5N1 é um vírus do tipo influenza que foi detectado pela primeira vez em 1996. Ele é monitorado por cientistas desde então e já era conhecido como uma gripe altamente letal para as aves. Nos últimos meses, ele tem ganhado manchetes por estar se espalhando para outras espécies.

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Até então era raro que o vírus infectasse mamíferos – embora já tivessem sido reportados casos em leões-marinhos no Peru e no Chile, em elefantes marinhos na Argentina e em raposas no Canadá, França e outros países. Agora, ele já pode ser encontrado até no continente mais isolado do mundo, a Antártida, no organismo de focas e leões-marinhos.

Em julho de 2024, pesquisadores mostraram pela primeira vez que o H5N1 pode ser transmitido de um mamífero para outro. A partir do sequenciamento genético do vírus em gados nos EUA, o estudo conseguiu traçar a rota do patógeno entre os animais. 

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As primeiras transmissões entre mamíferos ocorreram quando alguns animais contaminados por cocô de aves foram transportados para uma população saudável de bovinos no estado de Ohio. O sequenciamento genético também mostrou que o vírus foi transmitido para gatos, um guaxinim e de volta para aves selvagens que foram encontradas mortas nas fazendas afetadas. 

Segundo a equipe, os gatos e o guaxinim provavelmente ficaram doentes após beberem leite cru de vacas infectadas. “Esta é uma das primeiras vezes que vemos evidências de transmissão eficiente de mamífero para mamífero” diz Diego Diel, professor de virologia na Universidade Cornell e um dos autores do estudo.

A gripe aviária em humanos

Até o momento, não há evidências de que as mutações do vírus favorecem as infecções em humanos. Até 2022, os EUA não tinham registrado nenhum caso de gripe aviária em humanos. Agora, a situação é outra: desde março de 2024 já foram detectados 65 casos no país.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças do país, não há registro de transmissão entre humanos. A maioria dos pacientes apresentou apenas sintomas leves, e sua infecção foi causada pelo consumo de leite cru. O processo de pasteurização elimina o vírus da gripe aviária do leite e o torna seguro para consumo.

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Segundo um relatório da OMS de 20 de dezembro, o vírus apresenta risco baixo para a saúde pública global, já que sua incidência é baixa e os surtos estão limitados. 

Entre 1º de janeiro de 2003 e 1º de novembro de 2024, a OMS registrou 939 casos de gripe aviária em humanos confirmados laboratorialmente. Desses pacientes, 464 morreram em decorrência da doença, configurando uma taxa de mortalidade de 49%. Segundo o mesmo documento, nenhum caso foi registrado no Brasil desde que o monitoramento começou, em 2003.

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