Por que os pássaros não peidam?
Tem a ver com a microbiota intestinal deles, bem diferente da nossa.
Curiosidade: os corvos são capazes não apenas de memorizar rostos humanos, mas também de passar esse conhecimento a outros indivíduos — o que a ciência chama de transmissão cultural. Se um animal desses interagir com um humano e, por algum motivo, não gostar dele, seus amigos corvos vão ficar sabendo. E aí a gente que lute.
Muito impressionante, mas sabe uma coisa que os corvos não conseguem fazer? Peidar.
Nem os corvos, nem os pardais, nem as andorinhas, nem os bem-te-vis, nem espécie nenhuma. É um fato: pássaros não têm o hábito de soltar gases pelo fiofó. Por quê? Porque eles não possuem os mesmos microrganismos que nós em seu trato intestinal, de modo que não produzem os gases que seriam expelidos.
Humanos e outros mamíferos possuem bactérias como as da família Bacteroidaceae em seu trato gastrointestinal, que ajudam na digestão, auxiliando na quebra dos alimentos. Como resultado dessas reações, são produzidos gases como o dióxido de carbono e o metano, os quais precisam ser expelidos por algum lugar. E a saída mais próxima é o ânus.
Os pássaros possuem, sim, bactérias em seu trato digestivo, mas que não são do mesmo tipo que as presentes no corpo humano. Além disso, eles também possuem um trato digestivo muito menor, o que faz com que a digestão da comida seja muito mais rápida. Portanto, mesmo que eles comam algo que possa fermentar e produzir gás, o alimento não permanece por tempo suficiente dentro de seus corpos para que isso aconteça. Um pássaro faz cocô a cada cerca de 15 minutos!
É preciso fazer dois alertas nessa história toda. Em primeiro lugar, os pássaros possuem a capacidade física de expelir gás pelo ânus, eles só não precisam fazer isso. Essa característica pode ser útil, porém, em caso de eventual acúmulo de ar na cloaca.
Em segundo lugar, é possível, sim, que gases se formem nos corpos dos pássaros — mas isso é sinal de algum problema de saúde.
A exceção?
Por muitos anos, acreditou-se que o tordo bassiano (Zoothera lunulata), uma espécie do sul da Austrália, usava peidos para procurar comida. O barulho das flatulências, em teoria, incomodaria os pequenos insetos dos quais ele se alimenta, fazendo com que se movessem no chão e facilitando ao tordo encontrá-los.
O rumor começou em 1983 com um artigo científico. Nele, o autor menciona um “jato de ar” saindo do passarinho, seguido por um maior movimento em busca de comida no chão. Em 2020, um blogueiro australiano resolveu investigar o fato, consultou especialistas e descobriu que não há evidência científica de que isso realmente aconteça.







