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Oscar 2026: quando e por que a premiação foi criada?

Homenagear os artistas era um objetivo secundário. Por trás do glamour, a primeira cerimônia do Oscar tinha a intenção de controlar artistas e limpar a imagem de Hollywood.

Por Victor Bianchin 9 mar 2026, 18h00

A primeira cerimônia Academy Awards, mais conhecida como Oscar, aconteceu em 16 de maio de 1929 no Roosevelt Hotel, em Hollywood (que é um bairro da cidade de Los Angeles, nos EUA). Era um evento muito diferente do que temos hoje: um banquete em vez de uma cerimônia de premiação, com os vencedores já tendo sido anunciados três meses antes.

Quem realizava a cerimônia, assim como hoje, era a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que havia sido fundada apenas dois anos antes, em 1927. Essa organização civil surgiu da união de 36 líderes da indústria cinematográfica após ser idealizada por quatro pessoas: o executivo Louis B. Mayer, chefe do poderoso estúdio Metro-Goldwyn-Mayer, o ator Conrad Nagel, o diretor Fred Niblo e o produtor Fred Beetson.

A Academia tinha vários objetivos: lidar com conflitos trabalhistas, promover a harmonia entre os diferentes ramos da produção cinematográfica (atores, roteiristas, diretores, produtores e técnicos), melhorar a imagem pública da indústria cinematográfica e fornecer um espaço comum para a discussão de novos procedimentos e tecnologias de produção. Desde sua fundação, um comitê foi formado especialmente para debater a entrega de prêmios a figuras notáveis da indústria — a cerimônia do Oscar foi a culminação desse esforço.

Por trás dos panos, porém, a intenção da Academia era outra: manter os artistas na rédea curta. Os executivos dos estúdios queriam impedir que os criadores se sindicalizassem. Por isso, sob o verniz de “promover as artes”, o esforço maior era para padronizar práticas da indústria e abafar queixas trabalhistas. 

A criação de uma cerimônia de premiação era algo secundário, mas que esteve em discussão desde o começo. Era tudo parte do plano de estabelecer que essas pessoas eram artistas, não trabalhadores. “Descobri que a melhor maneira de lidar com [os cineastas] era cobri-los de medalhas. Se eu lhes desse troféus e prêmios, eles se matariam de trabalhar para produzir o que eu queria. É por isso que o Oscar foi criado”, declarou Louis B. Mayer anos depois, de acordo com o autor Scott Eyman no livro Lion of Hollywood: The Life and Legend of Louis B. Mayer.

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Mas não era só isso. Nos anos 1920, Hollywood enfrentava escândalos envolvendo estrelas (como o caso do ator Roscoe Arbuckle, que estuprou a atriz Virgina Rappe), críticas morais (o cinema era acusado de promover o sexo e glorificar o crime) e pressão política, o que gerava risco de maior regulamentação governamental. A fundação da Academia e de sua premiação anual ajudava a dar uma aparência de profissionalismo e melhorar a reputação pública do cinema.

O esforço para conter a sindicalização triunfou por pouco tempo. O SAG, sindicato dos atores, surgiu em 1933, assim como o WGA, dos roteiristas. Já o DGA, sindicato dos diretores, veio em 1936. Essas novas organizações absorveram as questões trabalhistas, de modo que a Academia encerrou seu envolvimento com essas negociações em 1937. A partir daí, seu foco passou a ser cultural e educacional.

O Oscar, por sua vez, só cresceu: em 1929, eram 12 categorias, hoje são 23. Os vencedores, que costumavam ser anunciados aos jornais com antecedência para que fossem publicados na edição noturna do dia da premiação, passaram a ser secretos. A partir de 1953, a cerimônia passou a ser televisionada. Em 1961, foi introduzido o tapete vermelho. Hoje, cerca de 20 milhões de pessoas acompanham cada cerimônia ao vivo em todo o mundo.

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