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O que foram as manifestações de maio de 1968?

Paris simbolizou um clima de rebeldia que se espalhou por muitos lugares do mundo, como o Brasil

Por Tiago Cordeiro
4 Maio 2018, 16h34 • Atualizado em 22 fev 2024, 10h05
  • ILUSTRA Milton Nakata
    EDIÇÃO Felipe van Deursen

    Maio 68
    (Milton Nakata/Mundo Estranho)

    Foram uma série de protestos populares que aconteceram em vários lugares do mundo, por diferentes motivos. As manifestações se estenderam por todo o ano, dependendo do lugar, mas os protestos de maio, em Paris, simbolizaram todo o movimento. Na França, tudo começou como uma série de ações estudantis. A reação violenta da polícia atraiu adesão para o movimento. No fim de maio, o país estava paralisado por uma greve geral.

     

    É proibido proibir

    Estudantes franceses pararam o país por um mês

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    DIA 2: REFORMA JÁ
    Em 22 de março, a Universidade de Paris, em Nanterre, foi ocupada por 150 estudantes, que pediam mais vagas a alunos pobres. O grupo se retirou, mas seguiu protestando até que, em 2 de maio, a direção fechou a universidade. No dia seguinte, estudantes da Sorbonne, em Paris, foram às ruas contra a decisão

    DIA 6: QUEBRA-PAU
    Mais de 20 mil pessoas, entre estudantes, professores e simpatizantes do meio artístico, participaram de uma passeata que terminou em pancadaria. A polícia atirou nos jovens, que reagiram construindo barricadas e lançando pedras arrancadas do pavimento. Centenas de manifestantes foram presos

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    • Em geral, estudantes queriam cotas, operários queriam aumento e artistas queriam mais liberdade

    DIA 10: ESCALADA DE VIOLÊNCIA
    Os manifestantes ganharam o apoio dos estudantes secundaristas. Os jovens se entrincheiraram atrás de carros revirados, armando-se de coquetéis molotov para jogar contra a polícia. Transmitido pela TV, o protesto conquistou apoio popular. No dia 13, os trabalhadores realizaram uma greve geral

    DIA 16: BRAÇOS CRUZADOS
    Em Nantes, em Rouen e em Paris, os trabalhadores tomaram as fábricas. Em cinco dias, os operários parados saltaram de 200 mil para mais de 9 milhões, dia 21. No dia 27, 50 mil pessoas pediram a renúncia do presidente, Charles de Gaulle. Boa parte da população que acompanhava pelas notícias simpatizava com a causa

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    DIA 29: A VIRADA
    O presidente fugiu por algumas horas para a Alemanha. Ao voltar, encontrou 500 mil pessoas, em Paris, cantando “Adeus, de Gaulle!”. Uma porção significativa da opinião pública mudou de lado, graças em parte à radicalização de alguns manifestantes, que decretavam “morte ao capitalismo” em plena Guerra Fria

    DIA 30: O FIM
    De Gaulle convocou eleições e acabou ganhando o pleito. As manifestações acabaram. Mas o presidente ficou com a imagem afetada após as turbulências do mês. Sem apoio político, ele renunciaria um ano depois

     

    MOVIMENTO GLOBAL
    Outros países também protestaram em 1968

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    • Polônia, janeiro Quase todas as universidades foram fechadas e mais de mil estudantes acabaram presos
    • Estados Unidos, fevereiro a abril Os protestos contra a Guerra do Vietnã se multiplicaram depois que os vietcongues começaram a virar a guerra
    • Itália, março Estudantes fecharam a Universidade de Roma por 12 dias
    • Brasil, março a junho Mais de 50 mil pessoas transformaram o enterro do estudante Edson Luís de Lima Souto numa manifestação política. Em Contagem (MG), metalúrgicos fizeram a primeira grande greve da ditadura. No Rio, a Passeata dos Cem Mil protestou contra o regime militar
    • Espanha, abril Protestos pediam o fim da ditadura de Francisco Franco. A Universidade de Madri passou 38 dias fechada
    • Iugoslávia, junho Estudantes pressionaram o governo
    • México, junho a outubro Estudantes protestaram dias antes do início das Olimpíadas, na Cidade do México. Estima-se que, em Tlatelolco, centenas de jovens foram mortos pela polícia
    • Tchecoslováquia, agosto Tropas da URSS invadiram o país para barrar reformas. Os soldados encontraram um movimento de resistência pacífica. Foi a chamada Primavera de Praga

    FONTES Livros 1968, o Ano que Não Terminou, de Zuenir Ventura, The Beginning of the End: France, May 1968, de Angelo Quattrocchi e‎ Tom Nairn, e Prelude to Revolution: France in May 1968, de Daniel Singer

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