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Mulheres que mudaram a história: Mata Hari

A cortesã teria sido agente dupla para alemães e franceses. Como dançarina, marcou época nos salões de Paris.

Por Tiago Cordeiro
7 mar 2018, 13h35 • Atualizado em 22 fev 2024, 10h06
  • O que foi: Espiã
    Onde viveu: França
    Quando nasceu e morreu: 1876-1917

    Ela nasceu na Holanda e aprendeu dança exótica na Indonésia, onde adotou o codinome artístico. Entre passagens pelo Egito, pela Alemanha e pela Inglaterra, Margaretha Geertruida Zelle McLeod fez a fama mesmo em Paris.

    Estabelecida como dançarina e cortesã (prostituta de luxo), teve amantes ricos e poderosos. Mas acabou vítima do clima denso da 1ª Guerra Mundial e foi executada sob a acusação de atuar como espiã.

    Não se sabe com certeza se Mata Hari foi de fato uma agente bem-sucedida. Certo mesmo é que ela aceitou uma missão dos alemães – recebia para reportar tudo o que sabia das pessoas ricas com quem convivia na França.

    Também aceitou atuar a favor dos franceses na Espanha. Ela diria que pegou os trabalhos apenas pelo dinheiro, mas nunca atuou de fato na espionagem. É uma alegação impossível de comprovar; afinal, ela poderia dizer isso para se livrar da pena de morte ou para não ser forçada a entregar seus contratantes e seus colegas agentes.

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    FILME CLÁSSICO

    Mata Hari foi presa depois que uma troca de mensagens com os alemães foi interceptada pelos franceses. Acontece que Berlim sabia que seu código já tinha sido quebrado pelos aliados e usava um novo sistema.

    Mesmo assim, mandou instruções para a espiã usando o código antigo, possivelmente para prejudicá-la. Por que entregá-la? Das duas uma: ou ela realmente ganhou dinheiro sem fazer nada, ou era agente dupla. “O mais importante a saber sobre Margaretha é que ela amava homens”, escreve Pat Shipman na biografia Femme Fatale: Love, Lies, and the Unknown Life of Mata Hari. “O mais crucial a saber sobre ela é que não amava a verdade. Ela foi uma criação do começo ao fim, uma personagem numa peça que ela reescrevia continuamente.”

    Na vida da cortesã, lendas e fatos se embaralham. Essa dificuldade em entendê-la, somada à fascinação que exercia sobre seus amantes e seus admiradores, fez dela uma lenda na Europa da década de 1910. Tão famosa que, logo em 1931, seria interpretada por Greta Garbo no clássico Mata Hari.

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    ÚLTIMO BEIJO

    Margaretha estava perto de completar 19 anos quando se casou com o capitão Rudolph McLeod, de 39. Mudou-se com ele para a Indonésia. O casal teve dois filhos, Norman e Juana-Luisa. Ele acabou morrendo, doente de sífilis ou envenenado. Ela foi raptada pelo pai quando o casal se separou, já de volta à Europa.

    Depois disso, Mata Hari alternou a vida de dançarina com momentos em que vivia com homens ricos. No contexto da 1ª Guerra, as viagens constantes, as mudanças de companhia e o estilo exótico fizeram dela um alvo de suspeitas.

    Acabou morta por um pelotão de execução, logo no amanhecer de 15 de outubro de 1917. Seu último gesto foi mandar um beijo para os atiradores.

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    Dica de série – Tema de vários longas, ela é interpretada por Vahina Giocante na série Mata Hari, de 2017

    SEUS MAIORES ACERTOS

    • Virou ícone – Seu estilo pessoal, incluindo o corte de cabelo, influenciou as jovens de Paris da época – algo impensável para uma dançarina e prostituta
    • Influenciou poderosos – Desde a juventude na Indonésia até as viagens pela Europa, por onde passava ela mantinha relações com políticos, empresários e diplomatas
    • Foi a primeira popstar – Com figurinos ousados e danças exóticas, ela alcançou grande sucesso com as apresentações na casa de show Olympia, em Paris

    SEUS MAIORES FRACASSOS

    • Deixou-se prender – Tendo sido ou não uma boa espiã, o fato é que ela caiu numa armadilha dos alemães e acabou condenada à morte por isso
    • Mentiu muito – De tanto adotar nomes diferentes e de mudar histórias sobre si, ela terminou a vida desacreditada. Ninguém testemunhou a seu favor
    • Não foi habilidosa – A espiã poderia ter escapado. Vide o exemplo da agente alemã Marthe Richard, que sobreviveu e ainda engatou carreira na política
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