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“Lamba-me o traseiro”: a música de Mozart que você não conhecia

Até os gênios precisam rir

Por Victor Bianchin
20 nov 2025, 14h00 •
  • Se você acha que as piadas de quinta série são coisa dos tempos contemporâneos, está redondamente enganado — só não mais redondamente que sua mãe. Um dos grandes adeptos desse humor mal educado era ninguém menos que Mozart. Ele mesmo, o compositor austríaco que escreveu As Bodas de Fígaro!

    Mozart era um prolífico emissor de cartas (infelizmente, ele não viveu o suficiente para conhecer os memes de WhatsApp). O endocrinologista, musicólogo e historiador Benjamin Simkin realizou um estudo detalhado de 371 delas e encontrou linguagem escatológica (coprolalia) em 39 delas, o que representa uma prevalência de 10,5%. Mas não parava por aí: consta que Mozart também adorava falar besteirol quando se dirigia à alta sociedade de Viena. Seus assuntos favoritos: nádegas, genitais e defecação.

    Inevitável, portanto, que esse humor torto acabasse chegando às suas músicas. E assim surgiu “Leck mich im Arsch” (“Lamba-me o traseiro” na tradução do alemão para o português), de 1782. Trata-se de um cânon, tipo de composição muito comum na música renascentista, em que uma voz (ou instrumento) inicia a melodia e depois é imitada por outra, no mesmo ritmo e intervalos.

    A canção provavelmente era apenas para fins festivos, criada para Mozart curtir e dar risada com seus amigos. Não foi a única composição “suja” que ele escreveu (existem nove conhecidas), embora talvez seja a mais célebre. Diz a letra:

    Leck mich im Arsch! (Lamba-me o traseiro!)
    Goethe, Goethe! (Goethe, Goethe!)
    Götz von Berlichingen! Zweiter Akt; (Götz von Berlichingen! Segundo ato;)
    Die Szene kennt ihr ja! (Vocês já conhecem a cena!)
    Rufen wir nur ganz summarisch: (Digamos apenas, em resumo:)
    Hier wird Mozart literarisch! (Aqui Mozart se torna literário!)

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    Ouça aqui:

    O trecho faz referência à peça Götz von Berlichingen, escrita por Johann Wolfgang von Goethe em 1773, famosa pela frase “Leck mich im Arsch!” (“Lamba-me o traseiro!”), dita pelo protagonista — uma das expressões mais conhecidas da literatura alemã por seu tom provocador. É equivalente, no inglês, a “kiss my ass” (“beije meu traseiro”). E, veja bem, “traseiro” é uma tradução comportada para “arsch”, que poderia muito bem ser adaptada para pt-br com apenas duas letras.

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    A primeira edição das obras completas de Mozart, publicada em 1804, censurou os textos e removeu o humor picante, mudando o título de “Leck mich im Arsch” para “Alegremo-nos!”. Mas a letra original foi encontrada em 1991 pela Universidade de Harvard quando a biblioteca da instituição adquiriu uma coleção de 17 livros com as composições do artista.

    “São trabalhos menores”, comentou na época Michael Ochs, bibliotecário de Harvard. “Não são o ‘Requiem’ ou ‘Don Giovanni’. Foram escritas para a diversão de Mozart e seus amigos, e mostram um lado diferente dele.”

    E por que Mozart era assim? Alguns estudiosos sugerem que, talvez, ele tivesse Síndrome de Tourette, uma hipótese sem comprovação. Mas o mais provável é que o compositor clássico só gostasse de umas piadas sujas mesmo.

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