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Como é feita uma ponte de safena?

Cirurgia dribla artéria obstruída, mantendo a irrigação sanguínea no coração

Por Luciana Pinsky
18 abr 2011, 18h53 • Atualizado em 6 mar 2024, 09h31
  • Essa cirurgia cardíaca consiste em retirar parte da veia safena, que fica na perna, para religar artérias do coração obstruídas por placas de gordura. Com a nova ligação, chamada de ponte pelos médicos, é possível normalizar a circulação de sangue no local e evitar um infarto fatal. O desenvolvimento dessa cirurgia pode ser considerado um feito multinacional: ela foi realizada pela primeira vez nos Estados Unidos (em 1967), por um médico argentino (Renné Favaloro). Desde então, a ponte de safena passou por vários aperfeiçoamentos. Antes era comum, por exemplo, que durante a operação o bombeamento de sangue do paciente fosse feito por uma máquina fora do corpo, pois o coração parava totalmente de bater. Hoje, há várias técnicas que apenas reduzem os batimentos cardíacos, tornando a cirurgia menos invasiva e arriscada.

    As pessoas normalmente descobrem que precisam se submeter a uma ponte de safena de duas maneiras: ao demonstrarem sintomas físicos de problemas cardíacos (como dores no peito) ou após passarem por exames de rotina que podem indicar as obstruções. Caso as lesões nas artérias sejam identificadas, a ponte de safena não é a única opção de tratamento. Em alguns casos, é possível reverter a situação apenas com o uso de medicamentos. Outra saída menos traumática que a cirurgia é a angioplastia, na qual um longo e finíssimo tubo é introduzido no corpo da pessoa – a partir do braço, por exemplo.

    Ele então é direcionado até a artéria e a desobstrui. “A angioplastia é mais recomendada se a obstrução estiver em local de fácil acesso. Se não for esse o caso ou o paciente apresentar lesões em várias artérias, a cirurgia é mais indicada”, diz o cardiologista Luís Alberto Oliveira Dallan, do Instituto do Coração (Incor), em São Paulo. Uma operação de ponte de safena leva de três a cinco horas e até cinco religações podem ser feitas de uma vez.

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    Caminho alternativo1. Passagem bloqueada
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    O sangue oxigenado que vem dos pulmões precisa ser distribuído pelo coração por artérias que se chamam coronárias. Essas artérias podem acumular placas de gordura que obstruem a passagem do sangue. Como a circulação na região é difícil, o paciente passa a sentir dores no peito (angina). Quando 70% ou mais da coronária está obstruída, é recomendada a cirurgia de ponte de safena. Se ela não for feita, o paciente pode ter um infarto fatal

    2. Atalho vital

    Para evitar que o coração fique sem a oxigenação necessária, é preciso encontrar um novo caminho para a circulação voltar ao normal. Um pedaço de uma veia da perna chamada safena é extraída e enxertada no coração. Uma ponte, ou seja, uma nova ligação, é feita entre a aorta (principal artéria do corpo) e uma região da coronária que fica depois da parte obstruída pelas placas de gordura. O sangue então passa a utilizar o novo caminho e a oxigenação do coração está garantida

    Veias que salvam Além da safena, outros vasos do corpo podem ser usados nesse tipo de operação1. Amiga do peito
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    Para pacientes com até 60 anos, em vez da ponte de safena pode ser feita uma cirurgia usando uma das duas artérias mamárias, que ficam no peito. Nessa operação, a rota de uma mamária é desviada para ela chegar até o coração, servindo de caminho alternativo à coronária obstruída

    2. Queda de braço

    As pontes feitas com a artéria radial, retirada do braço, começaram a ser usadas no Brasil em 1993. O problema é que essa artéria pode apresentar espasmos que diminuem o fluxo de sangue. Para evitar as contrações involuntárias, o paciente usa medicamentos

    3. Estômago forte

    Uma outra opção é o uso da artéria gastroepiplóica, que fica abaixo do estômago. Numa cirurgia delicada, ela é levada até a artéria obstruída no coração, passando por um pequeno orifício aberto no diafragma, músculo que separa o tórax do abdômen

    4. Bem das pernas

    Em cada perna, nós temos duas veias safenas que se estendem pelo membro todo. A mais usada na cirurgia cardíaca é a safena magna, na parte da frente da perna, que é fácil de ser extraída

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