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Como as notas musicais foram descobertas e nomeadas?

Como as notas musicais foram descobertas e nomeadas

Por Lucas Massao
26 abr 2016, 17h58 • Atualizado em 22 fev 2024, 10h26
  • Guido de Arezzo

    pergunta do leitor João Pedro dos Santos, Porto Alegre, RS

    ilustra Felipe Martini

    edição Felipe van Deursen

    Elas não foram descobertas, mas inventadas. As notas são uma convenção, um código estabelecido para os músicos lerem as partituras. Mas o modelo ocidental, o famoso “dó-ré-mi”, é apenas um dos códigos. Dependendo do país ou do povo, cada som pode ser representado por notas ou marcações distintas. As partituras em que essas notas serão organizadas também variam de tradição para tradição. O modelo ocidental é o mais popular de todos e surgiu graças à Igreja, instituição responsável por oficializar e esquematizar o ensino musical na Idade Média.

    O criador

    As notas que conhecemos foram criadas pelo monge italiano Guido de Arezzo. Enquanto trabalhava no mosteiro da cidade de Pomposa, no final do século 10, Arezzo percebeu que os cantores gregorianos tinham dificuldade em memorizar as músicas sacras. Como a maioria das pessoas era analfabeta, a Igreja valorizava a música como o método mais poderoso de angariar fiéis

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    A sacada

    O monge montou a sequência “ut-re-mi-fa-sol-la-si” baseando-se nas iniciais dos versos do Hino a São João Baptista, canção extremamente popular na época e, portanto, fácil de memorizar. No século 17, por ser muito difícil de ser lido, o “ut” virou “dó”

    hino a são joão baptista

    Música de todos

    O dó-ré-mi não é universal

    Em outras partes do mundo, o sistema de notas é diferente do ocidental. Na Coreia do Sul, por exemplo, o chongganbo é um esquema com diversas casas e células que indicam, simultaneamente, o timbre e a duração de cada nota a quem canta. Outros países cuja música usa sistemas diferentes são Índia, Rússia, Indonésia, China e Japão. E tem mais. O projeto Hummingbird, desenvolvido por um professor de piano norte-americano e um especialista em visualização de dados, pretende “descomplicar” a leitura de partituras no modelo ocidental e facilitar o ensino musical. Há críticos e defensores do método. O consenso entre músicos é que ele serve como uma boa introdução, mas que o jeito tradicional ainda é mais completo

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    Consultoria Mônica Lucas, chefe do Departamento de Música da Universidade de São Paulo (USP)

    Fontes Livros Uma Breve História da Música, de Roy Bennett, History of Musical Style, de Richard Crocker, História da Música Ocidental, de Donald Grout e Claude Palisca, History of Notation, de Charles Williams; site Music Files

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