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Revelada carta de 1922 em que Einstein já alertava sobre antissemitismo nazista

A correspondência até então desconhecida – enviada por Einstein a sua irmã após fugir de Berlim – antecipa em 11 anos o terror de Hitler

Por Bruno Vaiano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
15 nov 2018, 13h22 • Atualizado em 15 nov 2018, 14h34
  • Em 1922, 11 anos antes de Hitler se tornar Chanceler da Alemanha e implantar um regime totalitário, o físico Albert Einstein enviou uma carta a sua irmã mais nova, Maria (mais conhecida pelo apelido “Maja”), em que alertava do perigo do antissemitismo. A carta, até então desconhecida por especialistas, veio a público graças a um colecionador anônimo e foi arrematada por US$ 39,3 mil em um leilão organizado em Jerusalém na última terça-feira (13) (você pode ver uma imagem aqui)

    Naquele ano, Walther Rathenau, judeu, amigo de Einstein e ocupante de um cargo equivalente ao de ministro das Relações Exteriores, havia sido assassinado por paramilitares de extrema-direita. Rathenau era tudo que os Nazistas não gostavam: defendia a democracia e a inclusão dos judeus na sociedade; era dono de um império industrial; queria manter boas relações comerciais e diplomáticas com os soviéticos e desejava que a Alemanha cumprisse as sanções feitas pelos aliados no Tratado de Versalhes após a Primeira Guerra.

    Einstein, que estava começando a ganhar projeção como ativista, percebeu que também estava na mira e fugiu de Berlim. Se abrigou no norte do país. “Aqui, ninguém sabe onde eu estou. Todos pensam que estou viajando”, diz o documento inédito, escrito à mão em agosto de 1922. “Estes são tempos negros para a política e a economia, então eu estou feliz de poder fugir de tudo.”

    A carta não fornece o endereço do remente, mas acredita-se que ele estivesse na cidade portuária de Kiel, se preparando para uma turnê de 5 meses pela Ásia. Nessa época, já bastante conhecido pelo público leigo, deu palestras no Japão, em Singapura e no atual Sri Lanka – além de ter feito uma visita à Palestina onde foi recebido com a pompa de um chefe de Estado.

    As palestras foram providenciais para o físico: ele estava precisando de dinheiro e os honorários de £2 mil vieram bem a calhar; de quebra, escapou de Berlim antes que o pior acontecesse e pode passar semanas solitário em um navio, algo que ele considerava extremamente agradável.

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    “Eu estou me saindo bem, apesar de todos os antissemitas entre meus colegas alemães. Estou muito recluso, sem barulho e sem sentimentos ruins, e ganho meu dinheiro sem depender do Estado, então sou um homem livre. Veja, estou prestes a me tornar uma espécie de pregador itinerante. Isso é, em primeiro lugar, agradável, em segundo, necessário.”

    “Esta carta mostra o que estava passando pela cabeça de Einstein em um estágio muito preliminar do terror nazista”, afirmou à Associated Press Meron Eren, um dos proprietários da casa de leilões Kedem, que organizou a venda do documento. De fato, em 1922 o partido nazista ainda era uma organização razoavelmente obscura. A primeira tentativa de golpe de Estado de Hitler –famoso e fracassado Putsch da Cervejaria– só viria em 1923.

    Em 1933, quando Hitler assumiu o poder, Einstein renunciou à cidadania alemã e passou a viver nos EUA. Cientistas judeus foram perseguidos, e a Teoria da Relatividade foi tratada como pseudociência pelo regime hitlerista. Todos os escritos de Einstein que não são de posse de colecionadores particulares estão guardados na Universidade Hebraica de Jerusalém, fundada em 1918.

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