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Há 30 mil anos, piercing na bochecha era a moda entre os europeus da era do gelo

Vários esqueletos da Europa Central têm o mesmo padrão de dentes desgastados – e a explicação que um antropólogo encontrou é puro rock 'n roll. Confira.

Por Eduardo Lima
8 fev 2025, 14h00

Se você tem ou conhece alguém que tenha piercing na bochecha, saiba que essa é uma moda antiga – bem antiga. Segundo o antropólogo John Willman, da Universidade de Coimbra, de Portugal, esse era um costume comum na Europa da última era glacial.

Marcas de desgaste nos dentes de vários esqueletos da época eram um mistério entre estudiosos – até agora. Essas pessoas faziam parte da cultura pavloviana, que viveu na Europa Central entre 25 mil e 29 mil anos atrás, durante o Paleolítico Superior. Elas ocupavam as áreas atuais da República Tcheca, Áustria e Polônia.

(Favor não confundir esse povo pré-histórico com o fisiologista russo e vencedor do Nobel Ivan Pavlov, que criou o campo de estudos do condicionamento clássico.)

As marcas de piercing na bochecha, parecido com o estilo labret que muitas pessoas usam no lábio inferior, aparecem até em esqueletos de crianças de dez anos. O estudo que descreve a descoberta foi publicado no periódico Journal of Paleolithic Archaeology.

Como era esse piercing

Os esqueletos da cultura pavloviana tinham desgastes estranhos e específicos, sempre nos dentes caninos e pré-molares. Até aí, normal. O esmalte enfraquece naturalmente com o decorrer do tempo de acordo com os hábitos das pessoas. E os dentes em questão, envolvidos em atividades repetitivas (como a mastigação) tendem a ficar achatados ou levemente angulados.

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Esse povo vivia com base na caça de mamutes. Será que o desgaste dental tinha a ver com roer ossos gigantes? Aí que vem a pegadinha: no caso desses dentes, o desgaste não estava no lado usado para mastigar, mas sim na parte que só entra em contato com a bochecha.

Como hipótese para solucionar esse mistério, Willman propôs que o desgaste era proveniente de piercings usados na bochecha, já que é parecido com o padrão de danos entre pessoas que usam esses acessórios hoje. Nos pavlovianos, os piercings provavelmente ficavam assim:

Desenho indicando onde os labrets podem ter sido colocados para criar o desgaste visto nos dentes da Era Glacial.
(John C. Willman/Universidade de Coimbra/Reprodução)
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Nenhum labret foi encontrado em sepulturas pavlovianas, talvez porque eles eram feitos de materiais perecíveis, como madeira – haja farpa na boca – ou couro. Esses acessórios não são exclusividade moderna de punks e góticos, e já eram presentes em várias culturas antigas. Nada impede que fossem usados há 30 mil anos, também.

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Os primeiros piercings provavelmente começavam a ser usados na infância, e talvez aumentavam de tamanho de acordo com a idade, já que adultos tinham uma área de desgaste nos dentes maior do que os pequenos.

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Tudo indica que esses labrets eram um acessório de diferenciação, uma forma de mostrar que você fazia parte do grupo dos pavlovianos. Seu tamanho talvez fosse associado à idade ou a diferentes experiências de vida, como passar pela puberdade ou por um casamento.

Alguns dos esqueletos foram encontrados com apinhamento dentário, quadro clínico marcado por dentes sobrepostos e tortos, já que não há lugar para eles nas arcadas dentárias. Isso pode ter sido culpa dos piercings que, quando posicionados de forma incorreta, podem tirar os dentes de lugar. Seja 30 mil anos atrás ou hoje, é melhor fazer seu piercing num lugar de confiança.

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