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Descoberta encerra mistério de 250 anos sobre navio de James Cook

A embarcação HMS Endeavour ficou na história por ter participado do primeiro contato documentado com a Austrália.

Por Manuela Mourão
18 jun 2025, 14h00 •
  • O navio HMS Endeavour, uma das embarcações mais icônicas da história da navegação, teve sua localização confirmada no fundo do mar de Newport Harbor, nos Estados Unidos. A identificação encerra um mistério que durou mais de dois séculos e meio e mobilizou gerações de arqueólogos, historiadores e pesquisadores.

    O anúncio foi feito pelo Australian National Maritime Museum (ANMM), após a conclusão de um relatório técnico elaborado em parceria com o Rhode Island Marine Archaeology Project (RIMAP). 

    A equipe responsável considera “altamente confiável” a identificação dos destroços encontrados no local, conhecido como RI 2394, como sendo os do HMS Endeavour. A embarcação em questão era o navio comandado por James Cook entre 1768 e 1771, durante a primeira viagem britânica de circunavegação da Nova Zelândia e de contato documentado com a Austrália.

    Após ser vendido e rebatizado como Lord Sandwich, o navio foi deliberadamente afundado em 1778, ao lado de outras 12 embarcações, com o objetivo de bloquear o porto de Newport durante a Guerra de Independência dos Estados Unidos. O Endeavour permaneceu submerso e não identificado até o início das buscas arqueológicas em 1999.

    A descoberta apresenta elementos estruturais cruciais que coincidem com os planos históricos da embarcação, incluindo os mastros principal e dianteiro, além de uma junta de madeira específica na proa, uma característica singular usada no século 18 e compatível com o projeto original do Endeavour.

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    As tábuas encontradas também foram feitas de madeira britânica, consistente com os registros de uma reforma feita em 1776, dois anos antes do naufrágio. “As medições são quase idênticas — estou falando de milímetros”, afirmou Kieran Hosty, arqueólogo-chefe do projeto.

    O diretor do museu australiano, Daryl Karp, classificou a descoberta como o “ápice de 25 anos de estudo arqueológico detalhado e meticuloso”. Desde o fim da década de 1990, a equipe combinou mergulhos, análises forenses, escaneamento digital do fundo do mar e investigação de arquivos históricos britânicos e norte-americanos para cruzar dados sobre o naufrágio.

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    Apesar da confirmação por parte do ANMM, o RIMAP adota uma postura mais cautelosa. Em 2022, quando o museu australiano anunciou pela primeira vez sua convicção sobre a identidade do navio, a instituição americana considerou o posicionamento “prematuro” e argumentou que ainda não havia provas científicas suficientes. Agora, mesmo com o novo relatório, o RIMAP ressalta que, embora muitos critérios tenham sido atendidos, a hipótese não é considerada “definitiva” e outras possibilidades continuam sendo investigadas.

    A descoberta reacende debates sobre o legado do HMS Endeavour e de seu comandante. James Cook é amplamente reconhecido por suas contribuições à cartografia e à exploração, mas também é lembrado por abrir caminho para processos de colonização que tiveram impactos devastadores sobre povos indígenas, especialmente na Austrália. 

    Além disso, o local do naufrágio agora exige medidas de proteção física e legal. O museu alertou que a embarcação está em avançado estado de deterioração e que ações devem ser tomadas para preservar o que resta do navio. Ainda não há definição sobre uma possível recuperação dos destroços, mas especialistas indicam que, se deixado no local, o navio pode desaparecer por completo nas próximas décadas.

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