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Sonic: como briga entre Nintendo e Sega deu origem ao personagem

Guerra dos consoles estava a todo vapor em 1991, ano de criação do ouriço – que retorna aos cinemas brasileiros nesta semana.

Por Victor Bianchin
Atualizado em 9 jan 2025, 10h28 - Publicado em 24 dez 2024, 19h00

No começo dos anos 1990, Sega e Nintendo disputavam a tapa cada consumidor que pensasse em adquirir um videogame. A Sega havia lançado o Mega Drive em 1988 (chamado no Japão de Sega Genesis) e a Nintendo retribuiu com seu SNES (Super Nintendo Electronic System, apelidado aqui no Brasil de “Super Nintendo”), os dois grandes consoles da geração 16-bit. Essa foi a quarta geração de consoles; hoje, estamos na nona.

Nesses primeiros anos, a Sega vencia a guerra porque o maior tempo de vida do Mega Drive havia garantido uma biblioteca maior de lançamentos, além de o console ser mais barato. Mas a Nintendo tinha o Mario, e isso era o suficiente para virar o jogo completamente. Em 1991, quando o SNES foi lançado nos EUA, o novo game da franquia, Super Mario World, foi distribuído junto com cada console, o que ajudou a popularizar a máquina da Nintendo. Naquele ano, a empresa vendeu 3,4 milhões de unidades no mercado americano.

Isso ainda não era suficiente para passar o Mega Drive, mas a concorrência estava chegando perto. A Sega precisava de sua própria arma secreta. E ela veio no formato de um famoso ouriço azul.

Nasce uma estrela

Um dos fatores mais importantes no branding do Mega Drive é que ele era o videogame “cool”, a opção descolada perante o console comportado da Nintendo. Em 1990, o presidente da Sega, Hayao Nakayama, pediu aos seus funcionários que desenvolvessem um mascote que refletisse esse lado.

A Sega até tinha outros mascotes, como o cabeçudo Alex Kidd, mas nenhum deles era carismático o suficiente para representar a companhia. Até então, a empresa havia tratado seus personagens como recursos descartáveis, peças não relevantes para a construção da marca. Foi justamente a geração 16-bit que começou a mudar esse paradigma.

Naoto Oshima, designer japonês co-criador do Sonic, revelou em 2018 que a Sega queria várias opções de mascote para analisar. “Eu estava planejando uma viagem para Nova York enquanto essa discussão acontecia internamente. Eles falaram ‘Queremos ver algo como um velhinho com um bigode, e também algo pontudo, e também um cachorro’”. Ele então criou os conceitos e saiu pelo Central Park perguntando às pessoas qual ideia elas preferiam.

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Os esboços iniciais de Sonic de Naoto Ohshima, sob o apelido de
(Naoto Ohshima/Wikimedia Commons/Reprodução)

“O ouriço foi o mais popular”, disse ele. “As pessoas apontavam para ele e diziam que gostavam. Em segundo lugar ficou o Eggman [o velho bigodudo, que acabou virando o arqui-inimigo do Sonic]. Em terceiro, o cachorro. De certa forma, foi surpreendentemente agradável. Fiquei me perguntando ‘por que será?’. A conclusão a que cheguei foi que, como a maioria das pessoas escolhia o ouriço, ele iria transcender raça, gênero, [alcançar] diferentes tipos de pessoa”.

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Sonic ganhou a cor azul para combinar com o logo da Sega. O resto de sua composição é bastante excêntrico, digno de um Frankestein: o corpo veio do Mickey Mouse, a cabeça veio do Gato Félix, os sapatos com cintos vieram do cantor Michael Jackson e as cores dos sapatos são inspiradas no Papai Noel. A

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Não só: segundo o próprio Oshima, a personalidade do ouriço foi baseada em Bill Clinton. “Se havia um problema, Bill Clinton resolvia na hora. Eu vi essa atitude na TV. Era o tipo de personagem que eu queria fazer”, declarou ele em 2009.

Oshima até criou uma história falsa por trás do personagem para deixá-lo mais cool: nos anos 1940, teria havido um piloto apaixonado por velocidade e apelidado de “Hedgehog”. Em seu avião e em sua jaqueta, ele ostentava a ilustração de um ouriço. Mais tarde, ele teria se casado com uma mulher que ilustrava livros infantis. Ela teria criado uma história baseada em seu marido e assim teria nascido a trama do primeiro game, que seria uma adaptação daquele conto.

Foto do livro
(ebay/Reprodução)

Quando Oshima trouxe seu design ao programador Yuji Naka (o mais famoso pai do Sonic), que estava obcecado pela ideia de desenvolver um jogo com um personagem superveloz, tudo se encaixou.

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A última grande cozinheira no que eventualmente se tornou o Sonic foi a gerente de produto da Sega americana, Madeline Schroder. Para deixar o personagem mais atraente para o público americano, ela cortou diversos elementos do personagem: ele deixou de ter presas, deixou de fazer parte de uma banda de rock (característica revisitada anos mais tarde por uma série animada na TV) e deixou de ter uma namorada humana. Essa personagem, uma loira chamada Madonna, havia sido ideia de Yuji Naka.

Falando sobre o assunto para o livro The History of Sonic (2014), Yuji Naka disse o seguinte: “Todos os personagens no jogo eram homens e eu queria adicionar uma mulher chamada Madonna, a qual o Sonic iria salvar. Mas nós achamos que isso seria muito parecido com o Mario salvando sua princesa, então mesmo eu achando que ainda era uma boa ideia, nós tivemos que abandoná-la”.

A Sega truca a guerra dos consoles

Sonic The Hedgehog foi lançado em 23 de junho de 1991 na América do Norte e as vendas iniciais foram muito satisfatórias. A projeção era de que o jogo atingiria um milhão de cópias vendidas até o final do ano. Mas ainda não era o suficiente — a Nintendo estava bombando naquele fim de ano com seu pacote de SNES + Super Mario World, afinal.

Então, o presidente da Sega americana, Tom Kalinske, simplesmente copiou a concorrência e resolveu distribuir o game junto com cada unidade vendida do Mega Drive. “Você está maluco! A gente está tendo lucro com nossos jogos e você quer que o melhor título da nossa história seja distribuído de graça com o console?”, foi o que ele ouviu de Hayao Nakayama, presidente da Sega do Japão, ao se reunir com ele para apresentar a ideia.

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Mas Nakayama não era bobo. Depois de chutar uma cadeira e se dirigir para a porta para deixar a reunião, ele parou, virou-se de volta para Kalinske e disse: “Se você acha que esse é o jeito para derrotar a Nintendo, então faça”. E bateu a porta.

Imagem do Sonic.
(Wikimedia Commons/Naoto Ohshima/Reprodução)

A Sega vendeu 15 milhões de unidades do Mega Drive naquele Natal. Quem havia comprado o console antes pôde pedir sua cópia de Sonic pelo correio. O personagem foi o fenômeno que todo mundo queria e que a empresa precisava, fazendo a Sega dominar 65% do mercado de consoles contra 35% da Nintendo.

A guerra dos consoles ainda teria muitos capítulos interessantes envolvendo Sega e Nintendo até a casa do Sonic deixar o mercado de hardware após o fracasso do console Dreamcast, em 1998. Sonic e Mario até mesmo apareceram juntos em um jogo pela primeira vez em 2007, com Mario and Sonic at the Olympic Games

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Mas, naqueles primeiros anos da década de 1990, Sonic foi o epicentro de tudo que era cool e divertido no mundo do entretenimento digital.

Sonic The Hedgehog – Volume 1: Depois da guerra

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