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Saudades, Uderzo: 5 easter eggs do mundo atual escondidos em Asterix

O Canal de Suez, o Eurotúnel e até o buraco no nariz da Esfinge: encontramos cinco "previsões" dos quadrinhos de Asterix, que se passam no Império Romano.

Por Bruno Vaiano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 mar 2020, 20h32 • Atualizado em 27 out 2020, 14h19
  • Quando a SUPER entrou de home office para a quarentena do coronavírus – fiquem em casa, por favor! – , o repórter que vos fala imediatamente tive a ideia de tirar as aventuras de Asterix, o Gaulês, do armário. As HQs do intrépido baixinho com Obelix, seu amigo Golias esfomeado, embalaram minha infância graças a meu avô. De tão viciado no personagem, ele mandou encadernar em três volumes de oito livros cada as 24 histórias clássicas – cada uma com aproximadamente 48 páginas, publicadas entre 1961 e 1979 com a dupla de franceses Goscinny no texto e Uderzo na arte.

    Quando meu avô morreu, após pouco mais de seis décadas de cerveja, churrasco e idas inesquecíveis à padaria da esquina, meu pai herdou os livros encadernados. E dele, as tais Barsas gaulesas passaram para mim (ainda que meu pai esteja vivo e ótimo de saúde – eu só peguei na cara dura, mesmo). Essas HQs foram minhas primeiras aulas de História e, junto do violão que também era do meu avô, os meus primeiros companheiros na solidão. Li a série de cabo a rabo duas vezes quando tinha uns 8 anos e fiquei internado no hospital 15 dias.

    Albert Uderzo, o ilustrador, morreu nesta terça-feira (24) por causa de uma parada cardíaca. O cartunista de 92 anos estava em sua casa na região de Neuilly-sur-Seine, na França. René Goscinny, seu parceiro, já não estava entre nós há bastante tempo: desde 1977, quando infartou durante a realização de um exame médico, com apenas 51 anos. É difícil explicar o quanto esses dois seres humanos fazem falta. Para fazer uma breve homenagem, separei cinco dos meus easter eggs favoritos da série – momentos em que Asterix e Obelix mudaram, de mentirinha, os rumos da história.

    O Canal de Suez

    O Canal de Suez é aquela passagem aquática que separa o Egito de Israel – ligando o Mar Vermelho ao Mar Meditarrâneo. Ao contrário do Canal do Panamá, que depende de um complexo sistema de eclusas, o de Suez mantém-se basicamente no nível do mar, sem desníveis, por todo o trajeto. Ele começou a ser construído pela companhia Suez, do empresário francês Ferdinand de Lesseps, em 1859, e qualquer navio, civil ou militar, pode atravessá-lo independentemente da nacionalidade. O que você não sabe é que a parceria franco-faraônica é antiga: em Asterix e Cleópatra, o protagonista gaulês visita o Egito e se oferece para ajudar a rainha com a obra no auge do Império de César. Um prenúncio.

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    (Uderzo e Goscinny/Reprodução)
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    O Eurotúnel

    O épico buraco de minhoca que liga a Inglaterra à França (vulgo Gália) também é uma encomenda das antigas. Após uma travessia turbulenta do Canal da Mancha em Asterix e os Bretões – com direito a temporal, neblina espessa e combate com os romanos –, Obelix sugere o túnel. Seu primo britânico responde com a fleuma característica: “Nós, bretões, já temos pensado sobre esse túnel; até mesmo já começamos as escavações. Mas parece que isso vai ser assaz demorado. Um tanto.”

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    (Goscinny e Uderzo/Reprodução)

    O chá das cinco

    Ainda em Asterix e os Bretões, Asterix fica sem a poção mágica do druida – que auxiliaria seus familiares ingleses a combater a ocupação romana na Bretanha. Para aumentar a moral da tropa, ele finge que a poção é um balde de água fervente saborizado com algumas folhas. Chá, essencialmente. Convencidos de quem tem força sobrehumana, os bretões partem para cima do exército de César e saem vitoriosos. E o chá se torna staple drink por lá.

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    (Goscinny e Uderzo/Reprodução)

    O nariz da Esfinge

    Também em Asterix e Cleópatra, Obelix se aventura a escalar a Esfinge. Mas seu peso avantajado causa um pequeno acidente – até hoje, o monumento não tem nariz.

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    (Goscinny e Uderzo/Reprodução)

    O exame antidoping

    Em Asterix nos Jogos Olímpicos, os gauleses querem participar dos Jogos, mas são proibidos: as disputas esportivas são reservadas aos gregos e romanos. Mas há uma saída argumentativa: se a Gália foi ocupada pelo Império de César, então os gauleses são cidadãos romanos como quaisquer outros, e têm todo direito de participar. Desde que não usem, é claro, a poção mágica do druida Panoramix, que dá uma força descomunal a seus usuários. Desinformados, eles dão um goles – e são punidos pela organização do evento.

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    (Goscinny e Uderzo/Reprodução)
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