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Por que o norte fica em cima do mapa?

O modelo só se tornou hegemônico na era das Grandes Navegações, quando se passou a usar a Estrela do Norte e bússolas para cruzar os oceanos.

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
22 jan 2011, 22h00 • Atualizado em 27 mar 2023, 11h18
  • Emiliano Urbim

    Pelo mesmo motivo que os carros param no sinal vermelho e nós giramos a cabeça de um lado para outro quando discordamos de algo: convenção. Assim como poderia ser outra a cor de “pare” e outro o gesto de “não”, durante muito tempo os mapas tiveram outra orientação.

    Aliás, “orientação” vem do tempo em que o oriente, ou seja, o leste, era o ponto cardeal mais importante da cartografia europeia. Na época das Cruzadas (campanhas militares da Europa cristã pela Terra Santa entre os séculos 11 e 13), Jerusalém costumava ocupar o alto do mapa, o que colocava o leste mais ou menos no topo. Na Bíblia há indícios de que o sistema era o mesmo: no livro do Gênese, capítulo 14, versículo 15, Abraão persegue um pessoal “até Hobá, que fica à esquerda de Damasco” – e o lugar ficava ao norte. Em contrapartida, os árabes colocavam o sul em cima e a Europa embaixo.

    Um dos pioneiros do norte no topo foi o astrônomo e geógrafo egípcio Ptolomeu (83-168). Mas o modelo só se tornou hegemônico na era das Grandes Navegações, quando se passou a usar a Estrela do Norte e bússolas (que apontam o norte magnético) para cruzar os oceanos. Com as novas descobertas, o mundo foi alargado e o formato se consolidou.

    Hoje em dia, a mapa-múndi é o mesmo no mundo todo, com pequenas variações. No Extremo Oriente, em vez de partirem o Pacífico no meio, como nós, eles dividem o Atlântico. E na Oceania, mais por provocação do que qualquer outra coisa, é fácil encontrar mapas “de cabeça para baixo”, com o sul no topo.

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    Por outro lado
    Antes de o norte ser hegemônico, os outros pontos cardeais também tiveram seus momentos de glória

    Velho Oeste
    Neste mapa cruzado da Terra Santa, feito no século 10, o oeste está no topo para facilitar a visualização horizontal do litoral. Há mapas antigos da Califórnia e do Chile com essa orientação.

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    Leste santo
    Este mapa veneziano do século 14 tem, além de polos sul e norte totalmente surreais, Jerusalém no centro do mundo e o leste no topo – ou seja, o oriente. Vem daí o verbo “orientar”: colocar na posição correta.

    Orgulho Sulista
    Na Nova Zelândia e na Austrália são cada vez mais populares mapas que invertem os polos. É suvenir para turista mas também um protesto contra a visão “nortecentrista” predominante.

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