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Os 10 melhores filmes da história, segundo Walter Salles

Confira as escolhas do diretor de "Ainda Estou Aqui", feitas para a revista especializada Sight and Sound, e saiba onde assisti-las

Por Rafael Battaglia
Atualizado em 23 fev 2025, 19h00 - Publicado em 4 jan 2024, 16h00

A cada dez anos, a revista britânica Sight and Sound, uma das mais importantes publicações especializadas em cinema, atualiza os seus rankings de melhores filmes de todos os tempos.

São duas listas: a feita por críticos (eleita por 1,6 mil profissionais) e a por diretores (460 cineastas votam nessa). O resultado das edições mais recentes, de 2022, você pode conferir no site do British Film Institute, que distribui a Sight and Sound.

Walter Salles, o diretor de Central do Brasil, Diários de Motocicleta e, mais recentemente, do hit Ainda Estou Aqui, é um dos seis diretores brasileiros que votaram na lista de 2022 (os outros são Karim Aïnouz, Maya Da-Rin, Gabriel Mascaro, Kleber Mendonça Filho e Affonso Uchoa). Das suas dez escolhas, oito estão disponíveis no streaming. É uma lista bastante eclética, que vai das comédias mudas de Buster Keaton ao cinema do francês Jean-Luc Godard.

Close-Up e Onde Fica a Casa do Meu Amigo são muito importantes para mim, e chegaram muito perto de entrar na lista”, comentou Salles à Sight and Sound.Pena que não seja uma lista de 15 filmes favoritos: [os diretores] Kubrick, Hitchcock e Lubitsch teriam feito parte dela.”

Eis a lista de Salles, na sequência em que ela aparece na publicação britânica (a ordem, diga-se, não importa; cada filme aqui recebeu o mesmo peso na votação final):

Era uma Vez em Tóquio (1953)

Foto da cena do filme
(Shochiku/Reprodução)

Onde ver? Belas Artes À La Carte, Claro TV+

Um casal de idosos viaja a Tóquio para visitar os filhos, já adultos. Eles, porém, estão ocupados demais e não parecem ligar para a presença dos pais. Do diretor Yasujirō Ozu, essa é uma comovente história sobre choque geracional. Conquistou o quarto lugar em ambas as listas de 2022 da Sight and Sound, de críticos e de cineastas.

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A Paixão de Joana d’Arc (1927)

Foto da cena do filme
(Société générale des films/Reprodução)

Onde ver? Belas Artes À La Carte e JustWatch

Do diretor dinamarquês Carl Theodor Dreyer, este filme mudo é baseado nas transcrições do julgamento de Joana D`Arc, a mulher que, dizendo-se guiada por vozes de mensageiros de Deus, lutou para salvar a França da invasão inglesa durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

Joana virou símbolo da resistência, mas foi capturada e acusada de feitiçaria. Um júri composto tanto por ingleses quanto franceses a condenou a morte e ela foi queimada aos 19 anos. O filme de Dreyer é bastante lembrado pela sua fotografia, como no uso de close-ups (enquadramentos fechados) para colocar o espectador bem próximo das expressões e reações da atriz principal, Renée Jeanne Falconetti.

Sete Oportunidades (1925)

Foto da cena do filme
(Buster Keaton Productions/Reprodução)
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Onde ver? YouTube

Assim como Charles Chaplin, o americano Buster Keaton é um dos gigantes da comédia das primeiras décadas de Hollywood. Boa parte da sua filmografia, diga-se, já está sob domínio público e disponível no YouTube.

Neste filme, Keaton interpreta Jimmie, um corretor pobre que recebe uma notícia inesperada: ele poderá herdar US$ 7 milhões (US$ 126 mi em valores atuais) do seu avô, que morreu. A única exigência do testamento é que Jimmie se case até o fim do dia. Começa, então, uma corrida para encontrar uma noiva – busca que se concentra em sete jovens que ele conhece num clube (eis o título do filme).

Keaton, conhecido pelo seu humor físico, fazia cenas que gelariam a espinha de qualquer dublê hoje em dia. Em Sete Oportunidades, ele enfrenta uma avalanche de pedras, uma de suas esquetes mais memoráveis. Mas fique tranquilo: as 150 rochas eram feitas de arame e papel machê.

Rastros de Ódio (1956)

Foto da cena do filme
(C.V. Whitney Pictures/Reprodução)
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Onde ver? Looke e Apple TV+ (para alugar)

Eleito pelo American Film Institute como o melhor faroeste já feito, este clássico de John Ford acompanha a vida de Ethan Edwards (John Wayne), veterano da Guerra Civil dos Estados Unidos (1861-1865) que vive em um Texas tentando se estruturar após o conflito. Ethan, que lutou pelos confederados (o lado perdedor da guerra), embarca em uma longa jornada atrás de sua sobrinha, capturada por indígenas comanches que mataram sua família.

Vidas Secas (1963)

Foto da cena do filme
(Regina Filmes/Reprodução)

Onde ver? Netflix, Globoplay, Telecine

O diretor Nelson Pereira dos Santos, que já havia trabalhado em documentários no sertão nordestino, queria fazer um filme sobre as duras condições de vida da maioria das pessoas que viviam na região. Como inspiração, ele usou o livro Vidas Secas – até que percebeu que o melhor jeito seria mesmo adaptar a obra-prima de Graciliano Ramos.

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A saga dos retirantes Fabiano, Sinhá Vitória, seus filhos e a cachorra Baleia foi filmada em 1962 no interior de Alagoas. Composta por vários atores amadores que viviam na região, foi a segunda tentativa de gravação deste que é considerado pela Abraccine (Associação Brasileiro de Críticos de Cinema) o terceiro maior filme de brasileiro de todos os tempos. Na primeira, em 1959, fortes chuvas fizeram nascer grama em Juazeiro, na Bahia, o que inviabilizou as gravações por lá.

Profissão: Repórter (1975)

Foto da cena do filme
(MGM/Reprodução)

Onde ver? Não disponível no streaming

Jack Nicholson estrela este drama de Michelangelo Antonioni, cultuado diretor italiano. O ator vive David Locke, um jornalista em meio à Guerra Civil do Chade que pena para terminar o seu documentário sobre o conflito. Em certo momento da história, Locke decide assumir a identidade de um inglês que morreu (e que estava no seu hotel). O que o repórter não imaginava, porém, era que o falecido era um traficante de armas a serviço dos rebeldes do país.

Memórias do Subdesenvolvimento (1968)

Foto da cena do filme
(Cuban State Film/Reprodução)
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Onde ver? Não disponível no streaming

Sergio é um jovem rico que vive em Havana em meio à Revolução Cubana, que tirou do poder o ditador Fulgêncio Batista e foi liderada pelos irmãos Fidel e Raul Castro e por Che Guevara.

Com as mudanças no país, muitos amigos e familiares de Sergio, da classe média e alta de Cuba, decidem abandonar o país. Sergio, porém, permanece por lá, ainda que meio alheio às transformações. É por meio deste personagem, e misturando com gravações documentais, que o diretor Tomás Gutiérrez Alea traça um interessante olhar sobre o que a ilha passou na virada dos anos 1950 e 1960.

A Batalha de Argel (1966)

Foto da cena do filme
(Igor Film/Reprodução)

Onde ver? Looke

O diretor Gillo Pontecorvo traça um retrato cheio de camadas sobre a Guerra da Independência da Argélia contra os franceses, que durou de 1954 a 1962. Os argelinos são os protagonistas, e o filme foi proibido na França na época do seu lançamento. Apesar disso, a história mostra que ambos os lados, colonizadores e rebeldes, cometeram atrocidades durante o conflito.

Acossado (1960)

Foto da cena do filme
(Les Films Impéria/Reprodução)

Onde ver? Globoplay, Mubi e Apple TV+ (para alugar)

A Nouvelle Vague foi um movimento do cinema francês nos anos 1950 e 1960, que influenciou cineastas de todo o mundo. Sua principal característica foi a ruptura com o cinemão clássico, de grandes orçamentos (alô, Hollywood). A grana enxuta exercitava a liberdade criativa dos diretores, do roteiro à escolha das locações.

Um dos principais nomes desse movimento foi Jean-Luc Godard. Acossado é seu filme de estreia e talvez o mais celebrado de sua carreira. Baseado numa história escrita por François Truffaut, outro titã da Nouvelle Vague, o longa conta a história de um ladrão de carro procurado por assassinar um policial – e que, enquanto foge, se envolve num relacionamento com uma mulher que conheceu em Paris.

Roma, Cidade Aberta (1945)

Foto da cena do filme
(Excelsa Film/Reprodução)

Onde ver? Belas Artes À La Carte

De Roberto Rossellini, esse é um dos maiores expoentes do neorrealismo italiano, movimento que retratou o país durante e imediatamente depois da Segunda Guerra Mundial. É um filme de guerra visceral, mas não por causa de cenas de batalha – e sim pelo retrato fiel da dura vida dos civis que tentavam encontrar alguma normalidade na rotina em meio ao conflito.

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