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As origens do castelo da Faber-Castell

O desenho na caixa de lápis de cor existe na vida real e permanece em funcionamento – tem até brasileiro trabalhando por lá. Conheça a história por trás da construção.

Por Maria Clara Rossini
28 ago 2020, 16h01 • Atualizado em 28 ago 2020, 16h06
  • Lembra daquele castelo das caixas de lápis de cor que você tentava copiar quando pequeno? Mesmo que você não fosse uma criança muito artística, com certeza já viu essa caixa nas papelarias:

    caixa faber
    (Faber-Castell/Reprodução)

     

    O castelo que está desenhado possui uma versão na vida real, localizado na cidade de Stein, na Alemanha. É lá que fica a sede da Faber-Castell, a fábrica da empresa e a Faber-Castell Akademie, que oferece cursos relacionados a arte, arquitetura e escrita.

    A origem do castelo da Faber-Castell
    (Ralf Hanisch/Divulgação)

     

    Muita gente não sabe que o castelo possui uma réplica em tamanho real. Foi por isso que os tuítes de Gui Almeida, brasileiro que trabalha em Stein, viralizaram na rede social. Ele mostrou um pouco do interior do castelo e ainda algumas curiosidades sobre a marca.

    https://twitter.com/Almeidaguiv/status/1295809286455676935

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    Ao contrário do que você deve estar imaginando, o “Castell” da marca não tem nada a ver com “castelo” (assim como “Faber” não tem a ver com “fábrica”). Faber-Castell é a junção de dois sobrenomes, pelo casamento de Ottilie Von Faber, herdeira da empresa, com o conde Alexander zu Castell-Rüdenhausen, membro da nobreza alemã, em 1898.

    Até então, a família Faber não fazia parte da nobreza. O marceneiro Kaspar Faber fundou seu negócio de lápis em 1761, há poucos quilômetros de Stein. Quem expandiu a empresa foi Lothar von Faber, seu bisneto. Foi dele a ideia de gravar o nome e logomarca nos próprios lápis – algo que hoje se vê em praticamente todos os lápis no mercado.

    Até então, nada de castelo – nem Castell. A empresa se chamava A. W. Faber. Quando a neta de Lothar, Ottilie, se casou com o conde, o sobrenome dele passou a fazer parte da família. Não havia herdeiros do sexo masculino, e a tradição mandava que a mulher incorporasse o nome do marido. Ela só continuou com o Faber porque seu avô pediu permissão diretamente ao rei da Baviera para manter o nome na família. Daí surgiu Faber-Castell.

    O conde Alexander criou a primeira versão do logotipo da empresa. Ele encomendou uma pintura chamada “Knights of the Pencil” (em português, “Cavaleiros do Lápis”), em que dois cavaleiros duelam segurando lápis ao invés de lanças. O produto da marca derruba o outro (em alusão à sua maior resistência), e essa acabou virando a representação da companhia.

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    knights of pencil
    (Faber-Castell/Reprodução)

    Por dentro do castelo

    A construção que aparece nas embalagens veio só em 1906. O casal decidiu construí-lo como uma extensão da casa de Lothar, perto da fábrica de lápis. Como a antiga residência do avô tinha um estilo próximo ao neorrenascimento, típico do século 19, ela ficou conhecida como o “Velho Castelo”, enquanto a residência da neta era o “Novo Castelo”.

    A origem do castelo da Faber-Castell
    (Ralf Hanisch/Divulgação)

     

    O interior é tão surpreendente quanto a fachada. Os três andares do edifício contam com biblioteca, sala de aula, enfermaria, salão de baile, dezenas de cômodos e até uma capela particular. O tamanho descomunal do banheiro é uma atração à parte.

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    A origem do castelo da Faber-Castell
    (Gui Almeida/Divulgação)

     

    A origem do castelo da Faber-Castell
    (Gui Almeida/Divulgação)
    A origem do castelo da Faber-Castell
    (Gui Almeida/Divulgação)

    Hoje, tanto o castelo quanto a fábrica ao lado (que produz aquelas caixas chiques – e caras – com lápis de infinitas cores) ficam abertos para visitação. O espaço ainda conta com um museu, que expõe peças como o lápis de madeira mais antigo do mundo e uma escultura de ouro dos cavaleiros duelando. 

    Gui trabalha em frente ao castelo. O brasileiro trabalhava na Faber-Castell do Brasil quando foi convidado, em 2013, para uma reunião na sede da empresa. Ao ser informado do local do encontro, ficou surpreso. “Mesmo trabalhando na Faber, eu não fazia ideia que o castelo era real”, confessa. Hoje, ele trabalha como gerente global de conteúdo em Stein e, de quebra, pode almoçar no jardim do castelo nos meses de verão.

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