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King Hong Kong

À meia noite do último dia deste mês, Hong Kong, território da China, mas administrado pelos ingleses, voltará ao controle chinês. A fusão vai transformar tigre asiático em um gigante econômico.

Por Redação Superinteressante Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 31 Maio 1997, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h51
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Ricardo Arnt

Duas guerras e um aluguel quase secular

Hong Kong é uma colônia inglesa encravada na China com 1 067 quilômetros quadrados (três vezes a área da baía da Guanabara) e 6 milhões de habitantes. Ocupa parte da península de Kaulun e 235 ilhotas, entre as quais a de Hong Kong, onde fica a capital, Vitória. É uma das áreas mais prósperas do mundo, um “tigre asiático” como a Coréia do Sul e Cingapura, países em crescimento contínuo que viraram potências econômicas no Oriente.

No século XIX, a região tinha apenas um ótimo porto e pescadores. Em 1821, comerciantes ingleses começaram a trocar, nas ilhas, ópio da Índia por chá chinês. A droga era valiosa como remédio, anestésico e também como entorpecente. A Inglaterra queria abrir o mercado chinês para vender outras mercadorias. Quando a China proibiu o comércio da droga, a Marinha inglesa atacou. Com a Primeira Guerra do Ópio (1839-1842), a Inglaterra conquistou a ilha de Hong Kong.

Não bastou. Com a Segunda Guerra do Ópio (1856-1860), os britânicos ganharam parte da península de Kaulun e a ilha Stonecutters. Finalmente em 1898, enquanto a China era atacada ao mesmo tempo por várias potências européias e pelo Japão, o governo chinês concordou em arrendar a Londres mais uma parte da península e 200 ilhotas adjacentes, os chamados Novos Territórios.

Iniciado em 1° de junho de 1898, por 99 anos, o arrendamento expira em 1° de junho de 1997. A China sempre quis Hong Kong de volta. Mas a população do território jamais foi consultada se queria continuar como colônia ou voltar a ser chinesa.

Direitos civis devem ser mantidos

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Com a abertura econômica da China, em 1976, Hong Kong virou o portão de entrada do grande mercado chinês. Os empresários da colônia foram os primeiros a abrir fábricas na vizinha província de Guangdong (a que mais cresce na China). A mão-de-obra lá é barata: 100 dólares ao mês, sem descanso semanal.

Hong Kong tem 118 000 empresas na China. É o maior centro financeiro da Ásia, depois de Tóquio. A China, por sua vez, é o país que mais investe na colônia. Metade das suas exportações sai por lá. Todos os dias, há 800 embarques marítimos entre os dois países, 72 vôos, 36 trens e 21 000 carros cruzando a fronteira.

Em 1984, Reino Unido e China fizeram um acordo para transformar o território em Região Administrativa Especial chinesa a partir de 1997. As liberdades civis e o sistema jurídico serão mantidos por 50 anos, mas não o sistema político. Pequim escolheu o novo governador e indicará uma futura Assembléia Legislativa, que deixará de ser eleita pelo voto direto, como até agora.

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Bons negócios para todos

Hong Kong entra com o capital e a China com a mão-de-obra.

Os 6,3 milhões de habitantes de Hong Kong ganham 54 vezes mais do que o 1,2 bilhão de chineses. Hong Kong tem 118 000 empresas na China e emprega 5 milhões de trabalhadores lá. Com a fusão, o Produto Interno Bruto chinês aumentará em 18% da noite para o dia.

Área e população

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China 9 571 300 Km2

Habitantes: 1,2 bilhão

Hong Kong 1 067 Km2

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Habitantes: 6,3 milhões

Renda per capita

Hong Kong U$ 24 300

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China U$ 450

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