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Bruno Garattoni

Por Bruno Garattoni Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Vencedor de 15 prêmios de Jornalismo. Editor da Super.

“High on Life 2” tem boas ideias, mas execução e bugs atrapalham

Game de tiro com armas falantes ficou famoso pelos diálogos engraçados, mas continuação tropeça em problemas técnicos e roteiro ruim; leia review.

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18 fev 2026, 16h00 • Atualizado em 18 fev 2026, 16h03
  • O primeiro High on Life, de 2022, chamou atenção pela premissa original: é um game de tiro protagonizado pelas armas, que têm nomes, rostos e personalidades escrachadas – o roteiro e os diálogos foram escritos pelo americano Justin Roiland, cocriador da série Rick and Morty. É um ótimo jogo, que colocou o estúdio americano Squanch Games no mapa da indústria.

    Agora, pouco mais de três anos depois, High on Life 2 aposta na mesma fórmula, mas com uma grande diferença: o game não tem a participação de Roiland, que foi demitido de Rick and Morty por acusações de violência doméstica (das quais acabou inocentado) e deixou o Squanch após uma denúncia de assédio sexual (o estúdio, do qual Roiland era CEO, fez acordo judicial com a vítima). 

    E o texto, que era a grande qualidade do primeiro High on Life, virou o maior problema do novo game. As piadas até que começam ok. “Humanos também são gente!”, bradam manifestantes aparvalhados contra uma empresa farmacêutica que quer transformá-los em remédio para aliens. “Aperte RB para dar um teco”, diz o jogo numa cena em que você tem de cheirar cocaína para ganhar a amizade de um alien. “Não prefere uma camiseta do [grupo de metal] Avenged Sevenfold?”, pergunta um lojista quando você vai comprar upgrades. “Só pode entrar aqui com um exame de sangue, atestado de antecedentes criminais e uma campanha fracassada em Disco Elysium“, diz outro personagem.  

    Também há boas ideias no desenho das fases (uma delas é inspirada nos jogos do Nintendo 64, e outra reproduz um game da era 8 bits) e dos inimigos – um dos quais você tem de caçar dentro dos menus de configuração do jogo, antes que ele os bagunce de modo irreversível.   

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    Mas, da metade para a frente, o game vai perdendo completamente a criatividade – e a qualidade. Os diálogos assumem um tom bobo e forçado, sem graça nenhuma, ficam cada vez mais longos e viram uma tortura (inclusive porque são impossíveis de pular). Após cada combate divertido, você já sabe que terá de aguentar uma enxurrada de falas ruins. A última fase é especialmente penosa nesse aspecto.

    Duas das missões chamam a atenção, porque têm tão pouco conteúdo que parecem nem existir – se resumem a dar um ou dois cliques. Por que estão lá, então? Dá a impressão de que faltou tempo para terminar o desenvolvimento do jogo antes do lançamento.

    Imagem do jogo High on Life.
    (Squanch Games/Reprodução)
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    Isso também vale para a parte técnica, que é bem problemática. High on Life 2 foi desenvolvido na plataforma Unreal Engine 5, e tem cenários muito bonitos. Mas é muito mal otimizado, ou seja, pesado demais. Isso significa que até o Xbox Series X (plataforma em que testamos o game) só consegue rodá-lo em uma resolução baixa – que o console então compensa fazendo upscaling da imagem via AMD FSR (FidelityFX Super Resolution). 

    Ocorre que o Series X/S, assim como o PlayStation 5 base, só roda a versão antiga desse algoritmo, sem IA. E como High on Life 2 é muito pesado, a resolução “interna”, antes do upscaling, é baixa demais. Resultado: a imagem fica cheia de serrilhamentos (linhas curvas parecem “escadinhas”) e cintilação (elementos pequenos piscam ou vibram). 

    Imagem do jogo High on Life.
    (Squanch Games/Reprodução)
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    Esses efeitos colaterais estão presentes em diversos games – mas são especialmente fortes em High on Life 2. Além disso, o Series X não consegue mantê-lo rodando a 60 fps constantes: há quedas ocasionais na taxa de quadros (em alguns momentos, bem intensas). No PC, onde é possível ter um hardware mais poderoso do que nos consoles, também há problemas: os usuários da Steam vem criticando o game por travar e engasgar bastante.  

    Mas talvez a principal questão técnica sejam os erros no desenho das fases. Em vários momentos, você acaba empacando e tem de ir buscar uma luz no YouTube – e aí descobre que, na verdade, só estava preso em bugs dos cenários. 

    A somatória de roteiro ruim, falas irritantes e problemas técnicos soterra os bons momentos de High on Life 2, deixando um gosto ruim ao terminar o jogo (cuja campanha principal dura 10h a 12h). 

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    Se você não jogou High on Life, melhor optar pelo primeiro game da franquia, que continua ótimo: um game de tiro original, engraçado e divertido. Se você jogou o primeiro, gostou e pensa em experimentar o segundo… Há momentos na vida em que é melhor preservar uma memória boa do que estragá-la encarando uma realidade ruim.  

    High on Life 2 está disponível para PC, Xbox e PlayStation (R$ 162 a R$ 339,90). Também está disponível gratuitamente para assinantes do serviço Game Pass. 

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