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Alexandre Versignassi

Por Alexandre Versignassi Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Blog do diretor de redação da SUPER e autor do livro "Crash - Uma Breve História da Economia", finalista do Prêmio Jabuti.

Como o Mais Médicos escancara a desigualdade nacional

Existem dois Brasis: um onde salário de R$ 12 mil é considerado baixo; e outro onde condições básicas de saúde são um luxo inacessível.

Por Alexandre Versignassi Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
8 abr 2019, 17h51 • Atualizado em 8 abr 2019, 17h54
  • O Mais Médicos teve 1.052 desistências nos últimos 3 meses. 15% da força de trabalho do programa não suportou ganhar R$ 12 mil por 40 horas semanais.

    Tendo em vista que a média salarial do país é um sexto disso, a notícia, divulgada no final da semana passada, causa alguma surpresa. Mas o meu ponto aqui não é criticar os médicos. Se o profissional acha que R$ 12 mil não bastam, então não bastam. Pronto. Até existe uma lei aí, de 13 de maio de 1888, que coíbe severamente a ideia de obrigar alguém a trabalhar por menos do que acha justo sem o direito de pedir demissão.

    O governo, então, que se vire para atrair mais médicos, observando a Lei Áurea na eventualidade de precisar de profissionais estrangeiros, e, provavelmente, pagando salários maiores – os 16 mil juízes que existem no Brasil ganham, em média, quase R$ 50 mil, bem mais do que o teto do funcionalismo público; e faz todo o sentido argumentar que um médico vale por 100 juízes.

    O ponto é que esse índice de desistência diz algo sobre o maior problema do país: a desigualdade abissal. O Brasil que forma médicos é uma Bélgica, uma Holanda. Um lugar onde 12k por mês não bastam – pudera, isso mal paga uma mensalidade nas faculdades de medicina mais caras.O Brasil que precisa de médicos, por outro lado, é uma Somália, onde 12k é prêmio de loteria e os belgas de Pinheiros (SP), Ipanema (RJ), Aldeota (CE), Moinhos (RS), Batel (PR) e Barra (BA) têm nojo de pisar.Esse conceito nem tem nada de novo. Foi criado na década de 1970 pelo economista Edmar Bacha – um sujeito brilhante, que mais tarde faria parte da equipe que criou o Plano Real. Bacha disse que o Brasil era uma “Belíndia”: uma Bélgica ilhada numa Índia.O fato de estarmos exatamente na mesma 40 anos depois dá uma ideia bem acabada da distância que estamos de formar uma nação de verdade.
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