Oferta Relâmpago: Super por apenas 5,99

Cientistas encontram pedaços de vidro formados após colisão cósmica

Fragmentos espalhados de Minas Gerais ao Piauí indicam que, há 6,3 milhões de anos, um impacto atingiu a América do Sul

Por Ana Clara Caielli Barreiro
19 jan 2026, 19h00 • Atualizado em 19 jan 2026, 19h02
  • Imagine só: há milhões de anos, meteoritos caíram sobre a Terra e causaram um impacto de alta energia, formando uma cratera e derretendo as rochas. Parte desse material fundido foi arremessado para longe, viajando pela atmosfera e esfriando rapidamente. O resultado são os tectitos, vidros naturais raros encontrados a grandes distâncias do local da colisão original.

    Sua superfície é marcada por pequenas cavidades, formadas por bolhas de gás aprisionadas durante o resfriamento acelerado. À primeira vista, os tectitos lembram pedras vulcânicas, com aparência preta e opaca. Mas, contra a luz, revelam uma tonalidade verde translúcida. Outra característica essencial é o teor extremamente baixo de água em sua composição.

    Esses vidros só haviam sido identificados anteriormente na Australásia, na Europa Central, na Costa do Marfim, em Belize e na América do Norte. Agora, um artigo publicado na revista Geology, liderado por Álvaro Penteado Costa, professor da Unicamp, relata, pela primeira vez, a presença desse material no Brasil. A descoberta amplia o ainda escasso registro de grandes impactos na América do Sul e indica que os tectitos podem ser mais comuns do que se imaginava.

    Os exemplares brasileiros foram encontrados em municípios do norte de Minas Gerais e, em homenagem ao estado, ganharam o nome de “geraisitos”. Análises mostram que eles apresentam teores de sódio e potássio ligeiramente mais elevados do que os de outros tectitos já conhecidos.

    Após a submissão do artigo, amostras semelhantes também foram identificadas na Bahia e no Piauí. Até agora, já são mais de 600 vidros catalogados, distribuídos por uma área que ultrapassa 900 quilômetros de extensão.

    Continua após a publicidade

    Apesar de pequenos e leves – com menos de cinco centímetros e pesos que variam de 1 a 85,4 gramas –, as investigações químicas indicam que os geraisitos se originaram de uma mesma colisão ocorrida há, no máximo, 6,3 milhões de anos, durante o Mioceno. Em termos geológicos, isso significa que se trata de uma cratera relativamente jovem.

    Mas onde ocorreu esse impacto? O material derretido que deu origem aos geraisitos tem mais de 3 bilhões de anos, o que leva os cientistas a acreditar que o meteorito atingiu terrenos graníticos do Cráton do São Francisco. A cratera em si ainda não foi localizada, mas, considerando a quantidade de geraisitos encontrados e a grande área em que se espalham, a expectativa é que ela seja de grandes proporções.

    Continua após a publicidade

    Publicidade