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Vazamento de fluido foi primeiro alerta dos riscos da exploração de óleo e gás na Foz do Amazonas

Mesmo de pequenas proporções, o vazamento revela lacunas na avaliação de riscos ambientais provocados pela exploração de óleo e gás na Margem Equatorial

Por Nils E. Asp
23 jan 2026, 08h00 •
  • Nils E. Asp é professor do Instituto de Estudos Costeiros (IECOS), Universidade Federal do Pará (UFPA). O texto a seguir foi originalmente publicado no site The Conversation, que reúne artigos redigidos por pesquisadores. Vale a visita.

    Ao menos desde 2017, diversos pesquisadores brasileiros, incluindo esse que aqui escreve, têm alertado sobre os riscos ambientais com relação à perfuração para óleo e gás na Bacia da Foz do Amazonas. Esses riscos vêm da combinação da complexidade da operação em si com a complexidade da dinâmica marinha e costeira da região e sua sensibilidade ambiental.

    A distância da costa e a grande profundidade da perfuração atual no bloco FZA-M-59, recentemente licenciada para perfuração pelo IBAMA, foram usados como argumentos para minimizar riscos ambientais. Mas, ao mesmo tempo, essas características adicionam complexidade na perfuração em águas chamadas ultraprofundas.

    O recente acidente, com vazamento de aproximadamente 18 mil litros de fluido de perfuração menos de dois meses após o início das operações, é um lembrete poderoso dos riscos. Embora o acidente em si seja considerado de pequenas dimensões e de baixo dano ambiental, fica evidente que acidentes podem ocorrer, e o risco de dano ambiental precisa estar sempre em nossos radares.

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    O acidente

    O vazamento teria ocorrido a cerca de 2.700 metros e já próximo ao assoalho marinho, que no local da perfuração fica a quase 3 mil metros de profundidade. Possivelmente, a falha mecânica/hidráulica teria ocorrido pelas pressões envolvidas no processo.

    A essas pressões se soma a complexidade da dinâmica na coluna d’água na região, que pode incluir várias camadas com velocidades e direções de corrente diferentes entre si e diferentes das correntes em superfície. Isso dificulta o controle e segurança da operação.

    Existem ainda riscos associados à movimentações de massa (sedimentos) junto ao fundo. Isso se dá porque a área de perfuração fica no talude continental, uma área de maior declividade e sujeita a instabilidades, onde a mistura de lama e água pode resultar em uma espécie de deslizamento subaquático, o que pode prejudicar a perfuração em si.

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    Lacunas de conhecimento

    A Petrobras tem vasto histórico e muita experiência com esse tipo de operação, e é inegável que a empresa trabalha com os mais altos padrões de segurança. No entanto, acidentes podem ocorrer. E, para que possamos preveni-los ou saber como lidar com eles quando acontecem, é fundamental que tenhamos um maior conhecimento da região.

    Ainda existem lacunas de conhecimento muito importantes. Um exemplo clássico dessa falta de conhecimento é o mapeamento do fundo do mar nessa região da Foz do Amazonas, que não temos em detalhes. Essa é uma informação fundamental para se avaliar os riscos ambientais da exploração. E esse é só um exemplo, há muito o que se estudar na região ainda. Muitas vezes, é difícil avaliar os riscos se existe carência de conhecimento.

    Acredito que o grande desafio seja suprimir essas lacunas de conhecimento para que possamos avaliar melhor os impactos dessa exploração na Foz do Amazonas. E a Petrobras vem investindo substancialmente no conhecimento ambiental de toda a região. Esse é um legado importante associado às perfurações.

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    Tirar conclusões sobre o acidente, nesse momento, seria precipitado. Mas o vazamento do fluído é um grande alerta, que mostra como os estudos ambientais são verdadeiramente uma necessidade. Como diz a máxima popular, “acidentes acontecem”…

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