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Um dinossauro chamado Gracinha: pesquisa revela rosto de espécie gaúcha de 230 milhões de anos

O primeiro fóssil do Saturnalia tupiniquim foi encontrado em 1999, em Santa Maria (RS). Agora, conhecemos a aparência de um dos dinos mais antigos do mundo.

Por Bela Lobato
21 dez 2024, 14h00

Os dinossauros mais antigos de que se tem notícia foram encontrados no sul da América do Sul. O primeiro dino brasileiro, o Staurikosaurus pricei, foi escavado em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em 1936. Na mesma região, em 1999, outro fóssil foi encontrado e recebido com grande entusiasmo pela comunidade científica e pelos cidadãos locais.

Era o Saturnalia tupiniquim, um dinossauro de 230 milhões de anos cujo esqueleto foi majoritariamente preservado. Entretanto, os ossos do crânio não tinham sido encontrados – e, até então, ninguém sabia muito bem como era sua aparência. 

Essa história começou a mudar em 2018, com uma descoberta no sítio fossilífero Cerro da Alemoa, também em Santa Maria. Depois de anos de limpeza minuciosa, constatou-se que havia ali não um, mas três indivíduos da espécie Saturnalia tupiniquim

“Isso foi bem surpreendente, porque a gente não esperava que fossem ter três bichinhos da mesma espécie naquele espacinho pequeno”, conta à Super Lísie Damke, paleontóloga que estudou os espécimes durante a graduação e mestrado na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). “Então foi uma surpresa bem legal. E mais do que isso, foi ter encontrado parte do crânio de um deles.” 

Entre os espécimes, havia o primeiro crânio de Saturnalia tupiniquim já encontrado. Damke passou uma parte da graduação e o seu primeiro ano de mestrado limpando minuciosamente o bloco de solo onde os fósseis estavam: foi tempo mais do que suficiente para se apegar e dar um apelido fofo ao predador pré-histórico.

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“O crânio é bem pequenininho, cabe na mão. Eu sempre tive muito cuidado, muito zelo com esse material. Muito carinho, porque ele já me acompanha há bastante tempo”, conta Damke. De tanto exibir, orgulhosa, os ossos frágeis e delicados, o espécime foi carinhosamente apelidado de Gracinha. 

Crânio fóssil da Saturnalia Tupiniquem
Gracinha nas mãos de Lísie Damke. O crânio do dinossauro de 230 milhões de anos ajuda a esclarecer a dieta da espécie e a evolução dos dinos na região. (Rodrigo Temp Müller/Divulgação)

Esses dinossauros já eram adultos e tinham aproximadamente 1,5 metros de comprimento. Seus crânios eram curtos e afunilados, com dentes afiados e com serrilhas. Essas características indicam uma dieta carnívora – e podem ter ajudado a espécie a realizar movimentos rápidos com a cabeça para capturar presas.

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Os resultados foram publicados no último dia 16 na revista Zoological Journal of the Linnean Society. A descoberta ajuda a consolidar o lugar ocupado pela espécie na história evolutiva dos dinossauros. Com o crânio e os dentes, os paleontólogos afirmam que o Saturnalia tupiniquim foi uma espécie precursora dos dinossauros herbívoros e gigantes, conhecidos pelos pescoços longos.

Detalhe do dinossauro saturnalia Tupiniquim em vida.
Uma recriação artística sobre como seria a aparência do Saturnalia tupiniquim, um dinossauro de 1,5 metro de altura e de dieta carnívora. (Johnny Mingau Pauly Vieira/Divulgação)
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Os fósseis ainda devem ajudar a responder muitas perguntas sobre a história e a evolução dos dinossauros. Outras pesquisas investigam o desenvolvimento do dino, seu comportamento e as interações com os outros organismos que coexistiram com ele em seus ecossistemas.

Damke iniciou recentemente o seu doutorado, em que irá analisar as características da anatomia endocraniana (ou seja, dos ossos que protegem o encéfalo) de vários dinossauros. Ela deve voltar ao seu velho conhecido, Gracinha, e comparar os resultados com outras espécies para entender melhor a evolução das espécies. 

A pesquisadora foi orientada no mestrado por Rodrigo Müller, paleontólogo que foi entrevistado pela Super mais cedo este ano. Depois das trágicas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, a equipe do pesquisador encontrou um fóssil de um precursor dos dinossauros de cerca de 240 milhões de anos.

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Ambas as pesquisas são parte do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (CAPPA/UFSM). Com sede no município de São João do Polêsine, o CAPPA pode ser visitado gratuitamente de segunda a domingo em horário comercial para apreciação de dinossauros e outros fósseis encontrados na região central do RS.

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