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Rochas de plástico se formam no arquipélago mais isolado do Brasil, mostram estudos

O lixo humano já alcançou áreas remotas do país – e está interferindo nos ninhos de tartarugas-verde.

Por Ana Clara Caielli Barreiro
15 jan 2026, 08h00 • Atualizado em 16 jan 2026, 10h47
  • O Arquipélago de Trindade e Martim Vaz é o ponto mais a leste do Brasil, localizado a mais de 1.100 quilômetros do Espírito Santo. Se você saísse de terra firme, levaria quatro dias de viagem de barco para chegar até lá. Mas não precisa se preocupar, pois esse cenário dificilmente aconteceria: o acesso ao conjunto de ilhas é restrito apenas a pesquisadores e militares. Isso torna o local  um dos mais isolados do país.

    De formação vulcânica, o arquipélago é conhecido por seu mar de ondas perigosas e mortais, além de ter uma ampla diversidade de fauna e flora. Ele é classificado como uma Área de Proteção Ambiental (APA) e um importante ponto de desova das tartarugas-verdes. Porém, nem mesmo a distância foi capaz de proteger as ilhas da degradação ambiental causada pela ação humana.

    Em 2019, pesquisadores encontraram, na Ilha da Trindade, as chamadas “rochas de plástico”. Imagine uma rocha comum, formada por sedimentos naturais, como areia e cascalho, e até restos de animais mortos. Agora, adicione um elemento estranho à mistura: o plástico, que chega até a ilha por correntes marítimas. O material se funde aos sedimentos, formando uma rocha híbrida.

    Fotografia da Rocha plástica encontrada na Ilha da Trindade: formada por sedimentos e restos de cordas marítimas, é erodida pelo mar e espalha microplástico por outras praias da ilha.
    (Fernanda Avelar Santos/Agência FAPESP/Reprodução)

    Análises químicas feitas em 2019 detectaram corantes verdes e polímeros sintéticos, comumente usados em linhas de pesca e outras embalagens. Isso representa um grande risco ambiental, pois o material pode ser ingerido por animais e interfere na paisagem natural.

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    Agora, uma nova pesquisa feita pela cientista Fernanda Avelar Santos, que também liderou o estudo anterior, foi publicada no Marine Pollution Bulletin. O artigo mostra que, desde 2019, o problema se tornou ainda mais alarmante. As rochas de plástico estão passando por um processo de erosão e já perderam cerca de 40% de sua área. Com isso, se fragmentam em macro e microplásticos que, aos poucos, se espalham pelas praias da Ilha da Trindade.

    O fenômeno representa um risco particular para as tartarugas-verde, pois os microplásticos se acumulam em seus ninhos que ficam em depressões da ilha. Além de interferir na preservação dos animais, o soterramento dos fragmentos nos ninhos pode fazer com que o plástico passe a integrar as camadas geológicas do local. Isso já está acontecendo: plástico foi encontrado a 10 centímetros abaixo dos ninhos, sendo uma evidência clara de nossa época.

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    As rochas de plástico já foram encontradas em outros lugares do mundo, como Colômbia, Havaí e China. Na maioria das vezes, elas estão associadas à queima de plástico em fogueiras, mas ainda não há evidências de que o mesmo tenha ocorrido na Ilha da Trindade.

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