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Por que plantas carnívoras nunca cresceram o bastante para devorar humanos?

A evolução e a mecânica delas ajuda a entender por que elas nunca viraram monstrengos. Confira.

Por Manuela Mourão
29 ago 2025, 18h00 •
  • Milhões de anos de evolução não foram suficientes para fazer das plantas carnívoras monstros gigantes. Apesar de capturar insetos, pequenos anfíbios e até roedores, essas plantinhas nunca se transformaram em ameaças colossais como no filme Viagem ao Centro da Terra ou no mundinho de Super Mario. Humanos não entram para o menu na vida real.

    Existem ao menos 12 mil espécies de plantas com algum grau de comportamento carnívoro, com mecanismos de predação que vão desde armadilhas adesivas até alçapões rápidos. Essas verdinhas, como a Dionéia – a carnívora clássica, que lembra uma boca cheia de dentes – ou os jarros do  gênero Nepenthes, nunca ultrapassaram os cerca de 10 cm.

    Vamos explicar por quê.

    As plantas carnívoras geralmente habitam ambientes com solo pobre em nutrientes, como pântanos ácidos ou rochas tropicais. Aliás, é por isso que essas plantinhas se tornaram carnívoras. As espécies que se deram melhor foram as que desenvolveram mecanismos de captura de animais para obter todos os alimentos (especialmente o nitrogênio) que precisavam nesses ambientes inóspitos. 

    Justamente pela falta de alimento, desenvolver estruturas grandes o suficiente para capturar presas maiores exigiria mais energia e mais nutrientes do que esses habitats são capazes de oferecer. Ser pequenininha foi uma vantagem evolutiva lá atrás que permanece até hoje.

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    A botânica Eva-Maria Sadowski, do Museu de História Natural de Berlim, diz que, até onde os botânicos sabem, houve ao menos dez pontos-chave na história evolutiva das plantas carnívoras. Até o momento, os registros mais antigos dessas carniceiras remontam ao Eoceno (entre 55,8 milhões e 33,9 milhões de anos atrás). “O registro fóssil de Droseraceae é o mais rico de qualquer linhagem de plantas carnívoras”, diz Sadowski para o site Smithsonian Magazine. Essa família é conhecida por usar uma substância gosmenta e pegajosa para prender suas presas. 

    Há registros fósseis desse tipo de armadilha preservados em âmbar de 34 milhões de anos – ou seja, esse tipo de estratégia já é velha de guerra. E mesmo assim, em nenhum momento pareceu inteligente sequer triplicar de tamanho: os fósseis encontrados não passavam dos 5 milímetros, segundo o estudo publicado na revista PNAS

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    Além da limitação de recursos, o tamanho das plantinhas também é uma decisão biomecânica. Um jarro grande demais, por exemplo, poderia se romper com o peso de uma presa maior. Algumas chegam a capturar rãs, lagartinhos e até pequenos roedores, como no caso da Nepenthes rajah, planta endêmica de Bornéu cujos jarros podem conter mais de dois litros de volume. Mas nada além disso. Os rajah conhecem suas limitações. 

    No entanto, existe um fundinho de verdade nas plantas colossais que aparecem na ficção de Júlio Verne. Outras espécies carnívoras conseguem chegar a tamanhos assustadores. É o caso da Triphyophyllum peltatum, uma trepadeira africana de até 60 metros de altura. Porém, elas são carnívoras apenas em uma fase juvenil, enquanto rastejam pelo solo. Na fase adulta, abandonam esse hábito.

    Isso porque essas adaptações só fazem sentido em ambientes extremos: ser carnívora é uma solução para uma condição de escassez. Essas plantas não crescem até tamanhos monstruosos porque já operam no limite da viabilidade, vivendo onde outras espécies não conseguiriam e se nutrindo da vida ao redor.

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