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Pela primeira vez, a Terra ultrapassa limite de 1,5ºC de aquecimento. Entenda o que isso significa

2024 foi o ano mais quente da história – e cruzou o “teto” estabelecido pelo Acordo de Paris.

Por Bruno Carbinatto
12 jan 2025, 10h00

Má notícia: 2024 foi o ano mais quente da história, anunciaram cientistas na última sexta-feira (10). Mas não só: pela primeira vez nos registros, a Terra ficou 1,5 ºC mais quente do que a temperatura registrada na era pré-industrial. 

O número é bastante impactante por si só, mas também tem um caráter simbólico: 1,5 ºC foi adotado pelo Acordo de Paris, em 2015, como uma espécie de limite máximo de aquecimento – acima desse teto, o mundo passaria a enfrentar as piores consequências da crise climática, como o desaparecimento de ilhas inteiras, intensificação de secas, mais eventos climáticos extremos (como as chuvas do Rio Grande do Sul). E, segundo os novos dados, cruzamos o tal limite em 2024.

Não é o fim da linha, por ora. O “estouro” do limite aconteceu em apenas um ano isolado, mas cientistas costumam levar em conta a média da temperatura de uma década como referência, a fim de filtrar anomalias (anos pontuais que são anormalmente frios ou quentes). 

Nessa métrica de 10 anos, a Terra ainda está “só” 1,3 ºC mais quente do que na era pré-industrial, ou seja, ainda dentro do limite do Acordo de Paris.

Mesmo assim, a medição de 2024 acende um enorme alerta vermelho, que pode indicar que não só o planeta continua esquentando como que esse processo está acontecendo ainda mais rápido do que prevíamos.

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A notícia foi divulgada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), que, por sua vez, contou com seis bases de dados diferentes que calculam de forma independente a temperatura da Terra, incluindo aí organizações como a Nasa e a Agência Meteorológica do Japão. Embora haja pequenas variações entre as medições dessas seis iniciativas, a média entre elas mostra que 2024 ficou 1,55º C mais quente do que a temperatura pré-industrial.

Usa-se a temperatura registrada entre 1850 e 1900 como referência porque o período é anterior a industrialização massiva do mundo (ou seja, a tal era pré-industrial); a partir do século 20, a humanidade passou a queimar combustíveis fósseis em grande escala, emitindo assim gases do efeito estufa que levam ao aquecimento do globo.

O limite de 1,5 ºC foi estabelecido pelo Acordo de Paris em 2015, no qual quase 200 países concordaram em manter o aquecimento global abaixo desse teto. Como explicamos, esse número é calculado por década, e não em anos individuais, então o fato de 2024 ter passado do limite não significa necessariamente que esse objetivo já falhou – mas indica que está cada vez mais difícil atingi-lo.

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Além disso, a medição de 2024 foi atipicamente quente, mostrando um aumento significativo em relação a 2023, que, por sua vez, já havia batido o recorde de ano mais quente já registrado. Isso levanta uma enorme questão: será que esses dois anos de rápido aquecimento são uma anomalia pontual, ou será que, daqui para frente, a temperatura vai seguir aumentando ainda mais rápido do que o previsto? 

Por isso, a divulgação do dado acendeu o alerta vermelho entre especialistas. Cientistas e autoridades, porém, lembraram que isso não é motivo para jogar a toalha e desistir de tentar reverter o pior cenário. Pelo contrário; é hora de, mais do que nunca, diminuir o uso dos combustíveis fósseis e as emissões totais de carbono.

“A história climática está se desenrolando diante dos nossos olhos. Não tivemos apenas um ou dois anos de quebra de recordes, mas sim uma série completa de dez anos. Isso foi acompanhado por eventos climáticos extremos e devastadores, além da elevação do nível do mar e do derretimento do gelo, tudo isso alimentado por níveis recordes de gases de efeito estufa devido às atividades humanas”, disse, em comunicado, a Secretária-Geral da OMM, Celeste Saulo.

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