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Para que serve a cauda das raias-mantas? Cientistas desvendaram o mistério

Se você chutou que são grandes ferrões, errou - nem todas as arraias tem esse mecanismo de defesa. Então, para que servem as estruturas?

Por Manuela Mourão
25 jan 2025, 18h00

As arraias (ou raias) ganharam popularidade no começo dos anos 2000, com a morte de Steve Irwin, o explorador da vida selvagem que famoso por seus programas com animais silvestres. Ele morreu após levar uma ferroada desse peixe cartilaginoso no coração. 

Mesmo com o caso emblemático, pouco se sabe sobre as caudas desses animais. Embora tenham conquistado uma reputação mortal, a fama não é totalmente justa: algumas espécies de raias não possuem espinhos nas caudas e não utilizam esse pedaço do corpo como arma, como é o caso da arraia-jamanta (chamada também de arraia-gigante, raia-manta ou apenas jamanta). Além disso, as caudas também não possuem músculos para impulsionar a água, então a locomoção não é uma questão. Por isso, até então, a função exata desse rabo era um mistério. 

Em um estudo publicado na Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, uma dupla de pesquisadores sugeriu que esse adereço, que muitos cientistas acreditavam ser membros descartáveis tal como o de lagartos, funciona como uma espécie de “antena” e age detectando perigos que se aproximam do animal na água.

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Júlia Chaumel, autora da pesquisa e bióloga marinha em Harvard, disse ao The New York Times que a complexidade de estruturas encontradas dentro da cauda foi surpreendente: “Não tínhamos ideia de que esta estrutura enorme tinha uma função sensorial.”

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Analisando caudas pertencentes às raias-focinho-de-vaca, uma parente menor das enormes arraias-manta, os pesquisadores descobriram que os rabos continham órgãos especializados em detectar estímulos subaquáticos. 

A maioria das arraias (como a que picou Irwin) usa suas caudas musculosas para flexionar barbatanas venenosas. Porém, as participantes da família Myliobatidae, como a focinho-de-vaca, possuem uma estrutura de cauda diferente, inofensiva. 

Chaumel e George Lauder, outro autor do estudo, utilizaram scanners 3D e dissecaram espécimes preservados, descobrindo que o tecido rígido da cauda tinha buracos ligados ao canal da linha lateral, um sistema sensorial que ajuda a detectar os movimentos, sugerindo que a cauda pode desempenhar um papel nas capacidades sensoriais da raia.

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Na maioria dos vertebrados aquáticos, a linha lateral é mais complexa perto da cabeça do animal e se torna mais simples em direção à cauda. No entanto, nas arraias analisadas, o sistema é complexo ao longo de toda a cauda, conectando-se a poros na pele. 

Diferentemente de outras arraias que vivem no fundo do mar, espécies da família Myliobatidae passam a maior parte do tempo em águas abertas, movimentando suas nadadeiras peitorais em forma de triângulo para nadar longas distâncias. Esse é o caso tanto das focinho-de-vaca como das grandes raias-jamantas. É como se esses animais voassem nas águas, enquanto as primas preferem explorar só o chão. 

Por isso, os pesquisadores sugerem que essa rede sensorial na cauda ajuda a detectar estímulos na água, uma vantagem ao buscar moluscos no fundo do mar, onde ficam vulneráveis a predadores. Quando estão voando o sensor também é útil, afinal, a qualquer momento um tubarão ou uma orca podem surgir e o alerta prévio da presença deles é bem vindo. 

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Agora, a dupla quer descobrir se existem outras funções para o rabo. O próximo passo é analisar outras espécies, como as mantas, para ver se as estruturas também agem com estabilizantes para os peixes enquanto nadam.

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